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sexta-feira, novembro 28

Corra!


Foto Val Lima


Esta é uma obra de fricção, pretende tocar de leve nas coisas,
conhecendo-as, como um cego que tateia...
uma teia de sentidos, sonoros, luminosos, corporais, poéticos.
Pretende bater nas coisas e pessoas e fazê-las voar.
Voei para minha escola infantil
onde em cada sala havia uma pequena biblioteca
e podíamos ler livros de estórias fantásticas.
O primeiro livro que li (ou pelo menos lembro),
foi a Vaquinha Voadora... não recordo o autor.
Um dia veio uma autoridade e levou a biblioteca.
Ela (a autoridade) não tinha humor, filosofia, nem poesia.
"Corra", tem!
Quem podia imaginar que eu encontraria as vaquinhas voadoras
em um pasto tão bem iluminado?
Esta obra parece agropastorial demais...
Sem sentido, caótica, fragmentada. Será?
Bem, as 'coisas' me pareceram muito bem acompanhadas e guiadas...
nós não estamos mesmo falando de vacas, não é?
O que se vê é a vida, os sentidos, causalidades, caos, aparências...
Falamos coletivamente e brincamos com toda nossa fé!
Até que a brincadeira acaba, efêmera, boa. Teatro!
Não posso voar neste momento, quem sabe não é melhor ficar sentado e olhar?
Vou sair agora, pegarei o ônibus... talvez o motorista queime a parada.
Acho que terei que correr até o meu destino!
Sim, "Corra"!

P.S. Magiluth em caixa de leite (UHT ?)
Longa Vida. Parabéns!

Elias Mouret

terça-feira, novembro 25

Algumas perguntas são LAPADAS!

São grupos, trupes, coletivos, túias, Cias...
Imaginem quantas perguntas são elaboradas numa discussão com os "grupamentos de coletivos teatrais do Nordeste". A Lapada é um encontro de alguns coletivos cênicos do NE a fim de trocar experiências estéticas, formativas e articular um pensamento político com as singularidades de quem faz teatro na região. Acredito ser sempre uma boa quando o pessoal se junta para trocar experiências, para aprofundar conhecimentos e, especialmente, para conversar sobre artes e política. Frequentar encontros como os de hoje, possibilitado pelo Festival Recife do Teatro Nacional, com representantes de coletivos nordestinos (alguns representantes não, mas os seus coletivos são nordestinos), gente borbulhando de idéias, bons argumentos e um desejo de dias melhores, me deixam esperançosa e acreditando que estamos no período chave para discussões e desdobramentos, para articulações e mudanças, ainda cheios de interrogações... Ao menos eu estou! Hoje, o encontro para mim foi um pouco assim:
O que realmente somos e fazemos enquanto coletivos? Qual nossa identidade(S)? Qual é e em que medida se dá nossa troca com a sociedade? Que políticas públicas queremos para cultura (ou para o teatro)? Como melhorarmos nossas condições de trabalho? Por que algumas tentativas, apesar das boas intenções, não conseguem sequer sair do papel ou não têm continuidade? Como apurarmos os critérios do nosso trabalho? Onde realizar temporadas? Quais os benefícios concretos que obteremos agrupando nossos coletivos? Como levar mais pessoas ao teatro? Como construir uma representatividade que de fato me represente? Com quem? Será que minhas propostas ou indagações serão levadas em consideração pelo poder público? Como resgatar a confiança na administração pública? O que vou fazer se não aprovar meu projeto no Funcultura? E no Myriam? E no Fomento? E no SIC municipal? Não, esquece o SIC... E se não apresentarmos nossos espetáculos no FRTN e no JGE? E se não girarmos pelo Palco? Onde coloco meu otimismo? O que vou fazer? O que faremos? O que faremos? Será que tem jeito?

Viviane Bezerra

segunda-feira, novembro 24

Novembros!

" Se eu gostar de você meu bem
e fores feia
feia como a morte
falsearei esta beleza atroz
e te farei
bela como a sorte "

Os festivais se sucedem em Novembro!
Agora estamos no Festival Recife do Teatro Nacional.
Você poderá encontrar os artistas, produtores, satélites e outros boêmios na rua da moeda.
Alguns vão direto ao assunto: Você gostou? Não gostou?
Eu gostei! Não gostei! E assim vai...
Parece ser uma característica muito comum, por aqui, detonar espetáculos alheios. É uma pena!
A falta de reflexão profunda quase sempre se faz presente na maioria das críticas, numa atitude
carente de rigor intelectual, às vezes notadamente infantil, outras, infelizmente, invejosa.
Recife acostumou-se com a síndrome do caranguejo manco...
É possível gostar de algo que não é bom e também detestar coisas maravilhosas,
mas é suficiente este critério para avaliar nossos trabalhos ou o do outro, em arte?
Podemos reconhecer o valor de uma coisa ainda que não apreciemos a coisa em si,
(Kant não me perdoará pela falta de rigor filosófico) podemos contextualizá-la.
Somos nós a medida da arte?
Gosto, logo existo!
E a alteridade?
Vi recentemente dois espetáculos , que me parecem um avanço
no teatro infantil de Pernambuco... não são os únicos! Ainda bem!
Pode-se perceber um cuidado com a criança, seus modos de participar e ver a arte,
a maneira como se encanta ou se afasta (algumas choram, riem, participam).
"Historinhas de Dentro" e "Outra vez era uma vez..." são peças bem cuidadas,
que abordam temas difíceis como a morte e a doença.
O que isto tem a ver com as idéias de Marco Camaroti sobre teatro infantil?
Talvez nada... ou quem sabe podemos confrontar os espetáculos citados, com estas idéias
e encontrar melhor fundamento para nossas opiniões?
É um caminho, não é o único, nem digo que seja o melhor...
Traga sua contribuição e vamos fiando nosso quadro de cena.
Ah! Fico devendo a "Síndrome do caranguejo manco" e "Kant e a coisa em si"

Um abraço!

Elias Mouret

sábado, novembro 15

Para Minc e o Minc!

Caro ministro Minc, boa tarde!
Este é um email aberto...
pensei em chamá-lo de carta aberta, mas acho que não cairia bem.
O senhor logo verá.
Peço que conserve o bom humor...
Parece que as florestas não param de cair e isto também preocupa os artistas.
Eles não pensam apenas em receber patrocínio da Petrobras.
Entre um projeto e outro, grandes preocupações...
Recife está um forno. Alguns acham que é sempre assim.
Uma boa arborização não faria mal à cidade.
Tem algum projeto assim, perdido numa gaveta?
Bem, acho que não estou sendo objetivo...
Sergio Mamberti vai assumir a presidência da Funarte, sabia?
Nós desejamos boa sorte a ele.
Funarte, Minc, Florestas,Projetos...
Já que vc é o ministro Minc, podia nos ajudar a convencer o Minc/Funarte,
de que é melhor receber projetos em arquivos digitais,
sem aquela papelada toda que eles pedem.
Quantas árvores ficariam de pé?
Sergio Mamberti parece ser uma pessoa sensível à causa ambiental. Aproveite!
Menos papel, menos burocracia, melhor para o meio ambiente.
Ah! Ministro, alguns podem dizer que eu deveria enviar uma carta em papel reciclado...
Tem gente que não se conforma.
Sabe, há quem diga que a Petrobras vai virar farinha na bolsa de valores.
Eu não sei, mas eles já recebem projetos em PDF... é uma boa.
Quanto a arborização de Recife ( o que nos traria algum alívio, além de sombra), não precisa mandar um projeto em três vias, basta um email.
Não sei se deve enviar para o prefeito ou o governador. Acho que nem é com o Minc...
talvez seja com o ministério das cidades.
Este texto vai para o nosso blog:
trupedecopas.blogspot.com
Sua presença é bem vinda. Sérgio Mamberti também.
Não façam cerimônias... podem comentar.
Juntem-se a nós.
Traga o seu colete!

Elias mouret

quinta-feira, novembro 13

XI Festival Recife do Teatro Nacional e duas coisinhas que me deixam contente


Foto Val Lima

Hoje aconteceu no Teatro Hermilo Borba Filho a coletiva de imprensa que anunciou as atividades e espetáculos programados para o XI Festival Recife do Teatro Nacional, que homenageia este ano a atriz Geninha da Rosa Borges. A curadoria de Kil Abreu (pesquisador e crítico teatral) é guiada pelo eixo temático O TEATRO DOS COLETIVOS E OS RETRATOS DO BRASIL. Fiquei muito contente em ouvir as palavras do curador sobre não fazer um Festival "para classe artística", a intenção é de alcançar novos públicos com espetáculos "saborosos" e de grande empatia, sem deixar de lado o apuro estético e temático. Outro ponto que me deixou muito contente é saber que o Magiluth com seu CORRA integra a programação do FRTN, na minha opinião já tinha passado da hora de incentivar/reconhecer o trabalho deste coletivo.
Para o desenvolvimento do teatro (e todo mundo já sabe disso!) é importantíssimo o trabalho de grupos e companhias estáveis, que sigam produzindo constantemente, com ou sem incentivos e patrocínios, seus espetáculos e suas pesquisas. É a partir daí, que vamos fazer e apreciar um sem fim de trabalhos maduros, dinâmicos, inquietos, alimentados de novidades e conceitos, com identidades pulsantes, vivas, perceptíveis. Tentemos nos interessar mais por discussões que nos possibilitem articular nossas atividades artísticas com um maior respeito, e definitivamente, com profissionalismo, sem permitir que uma estrutura em parte engessada e burocrática atrapalhe a evolução e o crescimento profissional de toda uma classe. Espero que o Festival levantando a bandeira dos COLETIVOS venha nos ajudar.

Abaixo seguem os espetáculos que compõem a programação do XI Festival Recife do Teatro Nacional:
19/11 - Algum Amor para Eugênia (PE)
20/11 - Algum Amor para Eugênia (PE) e Miranda e a Cidade (SP)
21/11 - Assombrações do Recife Velho (SP) e Miranda e a Cidade (SP)
22/11 - Fábulas (RN) e Assombrações do Recife Velho (SP)
23/11 - Fábulas (RN), Cachorro! (RJ) e Assombrações do Recife Velho (SP)
24/11 - Cachorro! (RJ), Aqueles dois (MG) e A Noite dos Palhaços Mudos (SP)
25/11 - Acqua Toffana (RJ), Aqueles Dois (MG), Shi-Zen, 7 Cuias (SP) e A Noite dos Palhaços Mudos (SP)
26/11 - Acqua Toffana (RJ), A Comédia dos Erros (RS), Aqueles Dois (MG), Por um vida um puco menos ordinária (RJ) e Shi-Zen, 7 Cuias (SP)
27/11 - A Comédia dos Erros (RS), Corra (PE) e Por um vida um puco menos ordinária (RJ)
28/11 - Quebra-quilos (PB) e Corra (PE)
29/10 - A Árvore de Júlia (PE) e Quebra-quilos (PB)
30/11 - A Árvore de Júlia (PE) e Quebra-quilos (PB)

Os espetáculos O Cabra que Matou as Cabras (GO) e a Paixão e a Sina de Mateus e Catirina (PE) compõem a programação descentralizada do Festival.

Informações: festivalrecifeteatro@gmail.com / 3232 2030
Postado por Viviane Bezerra

sexta-feira, novembro 7

Etc e Tal - Passeio

É um novo dia! Nós atravessamos as pontes e observamos as águas, o cheiro fétido nos ataca.
Os mercados de São José, Boa Vista, Santo Amaro, Casa Amarela e outros...são uma teia,
cheios de moscas, mondrongos e brilhantes coisas.
Um passo à frente e ela jogaria o papel no lixeiro, mas não!
Na folha estava escrito um manifesto, um poema ou uma receita de lentilhas com casca de laranja.
Um manifesto a favor dos manifestos, dos poemas, das lentilhas e laranjas.
Tudo está nos mercados, nos bairros, ou deveria. Quanto custa uma dúzia de bananas no Ibura?
E a exposição passa pelas belas galerias fluviais, até o mar...serpenteando entre vi não vi
gostei não gostei
De cada lugar se desprende um sem fim de energia, de luz, de criação.
A aranha tece a teia que tece a aranha ( O Capital, TOMO XXI, Cap. 123).
Os barquinhos deslizam nas teias dos rios, sobem e descem a remo.
Nos braços, novos coletivos os impulsionam.
Enquanto isso as torres gêmeas - carinhosamente chamadas de Sandy e Junior pelos neoboêmios-
elevam-se no aterro.
E os impertinentes gritam: "Osama nas Alturas"
Kabum! Ela caiu num buraco de pedras portuguesas, que aqui chamamos calçada.
Estava de plataforma de embarque e desembarque.
Ancoramos no porto digital e vamos torcer para uma peça boa no centro Apolo-Hermilo
Pagando o ingresso.
Depois amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no Pátio de São Pedro e estica até a Várzea,
Bomba do hemetério, Bongi e Alto do Capitão
E se nossos coletivos fossem para os bairros?
O papel finalmente caiu na lama, desprendendo um sem fim de energia!


Postado por Elias Mouret

quinta-feira, novembro 6

Rede de colaboração

A Trupe com a intenção de cooperar na divulgação dos trabalhos produzidos aqui no estado, está abrindo um espaço para a criação de uma rede de apoio a difusão das produções pernambucanas. Pedimos que nos enviem, sempre que possível, um breve release, fotos, áudios ou vídeos curtos sobre os espetáculos, pesquisas, encontros, novas idéias ou novos espaços culturais, para que divulguemos por e-mail para todos os nossos contatos e também através do nosso blog. O intuito é alcançar um público novo e garantir e fomentar novos e maiores espaços para divulgação das nossas produções.
Ajudem-nos a difundir esta idéia e a desenvolver esta rede de colaboração.