segunda-feira, novembro 24

Novembros!

" Se eu gostar de você meu bem
e fores feia
feia como a morte
falsearei esta beleza atroz
e te farei
bela como a sorte "

Os festivais se sucedem em Novembro!
Agora estamos no Festival Recife do Teatro Nacional.
Você poderá encontrar os artistas, produtores, satélites e outros boêmios na rua da moeda.
Alguns vão direto ao assunto: Você gostou? Não gostou?
Eu gostei! Não gostei! E assim vai...
Parece ser uma característica muito comum, por aqui, detonar espetáculos alheios. É uma pena!
A falta de reflexão profunda quase sempre se faz presente na maioria das críticas, numa atitude
carente de rigor intelectual, às vezes notadamente infantil, outras, infelizmente, invejosa.
Recife acostumou-se com a síndrome do caranguejo manco...
É possível gostar de algo que não é bom e também detestar coisas maravilhosas,
mas é suficiente este critério para avaliar nossos trabalhos ou o do outro, em arte?
Podemos reconhecer o valor de uma coisa ainda que não apreciemos a coisa em si,
(Kant não me perdoará pela falta de rigor filosófico) podemos contextualizá-la.
Somos nós a medida da arte?
Gosto, logo existo!
E a alteridade?
Vi recentemente dois espetáculos , que me parecem um avanço
no teatro infantil de Pernambuco... não são os únicos! Ainda bem!
Pode-se perceber um cuidado com a criança, seus modos de participar e ver a arte,
a maneira como se encanta ou se afasta (algumas choram, riem, participam).
"Historinhas de Dentro" e "Outra vez era uma vez..." são peças bem cuidadas,
que abordam temas difíceis como a morte e a doença.
O que isto tem a ver com as idéias de Marco Camaroti sobre teatro infantil?
Talvez nada... ou quem sabe podemos confrontar os espetáculos citados, com estas idéias
e encontrar melhor fundamento para nossas opiniões?
É um caminho, não é o único, nem digo que seja o melhor...
Traga sua contribuição e vamos fiando nosso quadro de cena.
Ah! Fico devendo a "Síndrome do caranguejo manco" e "Kant e a coisa em si"

Um abraço!

Elias Mouret

2 comentários:

Kyara disse...

Suas reflexões são sempre bem vindas e bem necessárias à nossa comunidade. Situações de "gostei", "não gostei", essas sempre permearão os pos-espetáculos até que as pessoas decidam ter coragem de falar sobre o que "realmente" pensam... Beijos.

Samuel disse...

olha aí algo inteligente no reino do mangue! é sempre bom expressar o seu rigor ao seu rigor e também não ao seu rigor. posso não gostar , mas não gostar pura e simplesmente por não aceitar ou porque não quero compartilhar ... vejo no nosso teatro paladinos e severinos que não querem uma morte severina... queremos a poesia do palco , da cena , da arte da vida.