quarta-feira, junho 17

O caso do Recife antigo

Não é de hoje que qualquer pessoa que frequente o bairro do Recife percebe o abandono no local. Lixo pelas ruas, prédios e casarões em situações lamentáveis, marquises desabando, flanelinhas se esfaqueando, uma poluição visual incrível, falta de segurança...
Neste bairro se encontram três dos principais teatros da cidade (Teatro Apolo, Hermilo e Armazém), diversos espaços culturais (Teatro mamulengo, Instituto Cultural Banco Real, Compassos, Canal das Artes) e constantemente é palco de grandes shows programados para a cidade. A matéria que segue abaixo, refere-se ao saque do prédio que abrigará o espaço cultural da Caixa no Recife com abertura prevista para 2010.
Impossível alguém que trabalhe com artes cênicas não sentir o esvaziamento do público. Você já andou a noite na rua do Apolo? Escuridão...
A iluminação pública: precária. A segurança próxima aos teatros e centros culturais: praticamente inexistente. Transporte público tele sena, de hora em hora.
Sim, estes também são motivos para que não consigamos lotar nossas casas de espetáculo.
Vá ao teatro! Teatro é ao vivo, vá ver! E todo mundo com medo... Inclusive nós artistas, e também os técnicos que trabalham nos espaços, saímos apressados após cada apresentação.
Mesmo lendo esta matéria estou certa que encontramos mais seguranças para cuidar do patrimônio do que de nós.
Dizendo o óbvio, uma política para a cultura não paliativa tem que considerar todos estes aspectos.
Abaixo segue a matéria.

Até!

Viviane Bezerra


Prédio secular é saqueado
Juliana Araújo

Antigo edifício da Bolsa de Valores, no Bairro do Recife, vem sendo destruído por vândalos, que furtam calhas de cobre para vender e comprar drogasUm dos maiores símbolos arquitetônicos do início do século 20, o Edifício Arnaldo Dubeux, em frente ao Marco Zero, no Bairro do Recife, onde antes funcionava a Bolsa de Valores de Pernambuco e da Paraíba foi comprado pela Caixa Econômica Federal por R$ 1,6 milhão, para receber um projeto cultural. Enquanto as obras não começam, o prédio está sendo destruído por vândalos, que entram e saem pela porta da frente sem nenhum receio, para furtar, principalmente, pedaços de cobre arrancados da calha. O material, segundo um vigilante, é vendido para comprar drogas. Na cobertura do prédio ao lado do Arnaldo Dubeux, a reportagem flagrou, ontem à tarde, duas mulheres quebrando com uma barra de ferro a estrutura de cimento que envolve a calha. A ação destruiu parte do telhado. Quase toda a calha foi arrancada. As duas mulheres chegaram ao local por volta das 13h e só saíram às 16h30. A dupla deixou o prédio tranquilamente pela Avenida Alfredo Lisboa com duas sacolas cheias do produto. Atravessaram a rua e andaram até a lateral do Terminal Marítimo do Recife, onde contaram o metal, a menos de 20 metros de um posto da Polícia Militar (PM). De acordo com o segurança, que preferiu manter sua identidade em sigilo, os saques ocorrem diariamente e não há nenhum segurança da Caixa Econômica Federal para conter a ação dos bandidos. “Eu fico triste porque é um patrimônio da cidade que vai se acabar sem ninguém fazer nada. Eles saem daqui como se estivessem levando coisas deles, sem medo nenhum”, afirmou. Na última quarta-feira, os tapumes colocados em maio deste ano, pela Caixa, foram roubados também à luz dia. “Pelo menos umas seis pessoas frequentam o prédio”, revelou o vigilante. Desde que foram informados sobre o roubo dos tapumes, que a princípio indicava o começo das obras do Caixa Cultural Recife, a Caixa garantiu que providenciou a troca de todos os cadeados existentes nos acessos à área interna do edifício, mas o portão da frente está arrombado. A Caixa Econômica afirmou que medidas de segurança serão tomadas para banir a ação dos bandidos. A assessoria da PM disse que cinco policiais e uma viatura realizam rondas em todo o Bairro do Recife, mas depois da denúncia ficarão mais atentos às investidas.

Fonte: Jornal do Commercio

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