sábado, janeiro 10

Síndrome do Caranguejo Manco - Teorias Apócrifas - Parte I

Certa manhã, enquanto caminhávamos pelas ruas de Viena,
Freud e eu passamos a discutir animadamente sobre a síndrome,
suas causas e consequências e a influência da linha do equador,
na formação e desenvolvimento da mesma.
Na verdade a discussão animada era apenas da parte de Freud,
pelas manhãs, prefiro o silêncio.
Sustentava ele que a inveja do pênis alheio,
misturada a uma misoginia indisfarçável,
levava as pessoas a encher seus carros com um equipamento
de som possante, estacioná-los junto a bares, residências,
igrejas, calçadas e mandar ver na barulheira.
Sendo tudo isso um sintoma entre outros.
Confesso que não fiquei plenamente convencido,
mas, como Freud explica, tentarei descrever
a teoria por ele apresentada.
Quero desde já esclarecer que qualquer erro
deve ser colocado na conta dos tradutores
ou na minha memória fraca.
Freud entregou-me um manuscrito com sua teoria...
infelizmente o mesmo se perdeu,
quando empreendi assombrosa busca pelo Graal.
O que segue baseia-se em traduções não autorizadas
e do que ficou na lembrança.
Dizia ele que o mundo está cheio de tabus...
e acrescentou:
"A linha do equador, música ruim e alta, misoginia,
inveja do pênis, pernambucanidade, cerveja quente,
monocultura da cana e outras, bairrismo,
desejar Brad Pitt e sonhar com Angelina Jolie,
analfabetismo e os batidíssimos complexos
de Édipo e Elektra, formavam no indivíduo uma
tendência inconsciente de abertura para a síndrome,
chegando a transformá-la em fator positivo,
através de um sutil sistema de recompensa e punição."
Eu pensei que Freud estava misturando
Skinner com Jung
ou pretendia desenvolver um poema dadaísta.
Seja como for, a abordagem de Freud
foi a primeira a tratar a síndrome
sob um ponto de vista psicológico.
A comunidade acadêmica continua dividida quanto ao assunto.
Há quem sustente que o manuscrito nunca existiu
e que tudo não passa de uma farsa, criada por um discipulo.
Outros afirmam que o manuscrito existe
e que se encontra escondido na biblioteca do Vaticano,
junto com um livro de Aristóteles sobre a comédia.
A discussão prossegue...
Tristan Tzara não quis se pronunciar de modo cartesiano.
Skinner e jung não foram encontrados.
Continuo na busca pelo manuscrito
na tentativa de elucidar a questão.

Elias Mouret

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