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domingo, março 13

O carnaval o dinheiro e as patentes.

Vem pessoal, vem moçada
carnaval termina com o Galo da Madrugada!
A festa foi boa, apesar de alguns shows pífios,
dos desgastadíssimos, Quanta Ladeira (cheio de gente bonita
e música ruim),Naná e os Maracatus(os Maracatus tem uma rivalidade
tremenda, alguns detestam os outros),
e a tal de apoteose final.
Bons encontros, troças e coisa e tal.
E a eterna e provinciana comparação com a Bahia.
A Bahia tem lá sua regra e seu compasso
e nós temos a nossa linha. Será que a empetur
entende uma coisa destas?
Penso que algumas pessoas aqui em Pernambuco
só ficariam felizes se Leonardo Di Caprio
saísse no caboclinho Sete Flechas,
Hebe Camargo no Bloco da Saudade,
E que as meninas das comunidades fossem
substituidas pelas loiras sem sal e marombadas
dos BBBs e Carnavais Cariocas.
Tem alguma madrinha de bateria que more na comunidade?
É indisfarçavel a tentativa de deixar o carnaval
limpinho e vendável.
A eleição do rei Momo vai neste caminho, não se enganem.
Nada desta gente gorda, feia, banguela e remelenta,
queremos é Ana Hickman puxando um Maracatu.
O Gianecchini como rei Momo.
O carnaval movimenta muita grana
e muita gente se movimenta tb.
Tivemos a grata surpresa de saber que um empresário
pernambucano patenteou a marca
"Bonecos Gigantes de Olinda"
que coisa linda não é?
Muita gente lucra com o carnaval, hotéis, pousadas,
restaurantes, taxistas, o estado, arrecadando impostos.
Parece que quem fica com a menor parte do bolo
são exatamente as pessoas que fazem o carnaval
de pernambuco.
As troças, os blocos, os maracatus,os afoxés e por aí vai.
Claro, o que é meu é meu e o que é teu é meu também.
Chamamos isto de domínio público.
As coisas do povo sempre são de domínio público,
as minhas estão protegidas por direitos autorais,
que mesmo depois da minha morte,
vão garantir uns trocadinhos ou uma fortuna
durante setenta anos a quem quer que tenha
adquirido os direitos sobre minhas obras.
Não deveríamos refletir sobre a possibilidade
de direitos autorais difusos?
Seria uma idéia interessante... será que a Fundarpe,
Secretaria de Cultura, prefeitura tem interesse?
E os blocos, troças, caboclinhos?
Não é para pensar que diversas pessoas
ganhem dinheiro, com o trabalho dos outros?
Que a economia do estado e da cidade recebe importante
injeção de grana as custas da criação artística alheia?
É domínio público, vc pode afirmar.
Sim, como a infalibilidade papal.
Vc acredita só porque o Papa diz, né?
Que tal se criássemos um Fundo e um Selo?
O Fundo seria para apoiar os diversos grupos
que fazem o carnaval pernambucano.
O dinheiro viria de todos os hotéis, pousadas,
restaurantes, que ficam lotados por causa dos turistas
e moradores que saem para gastar, não porque querem
dormir numa cama de hotel, ou porque a comida
daquele restaurante é maravilhosa, mas sim,
em função da diversão que o carnaval proporciona.
O selo seria um reconhecimento. Coisa do tipo,
"Este hotel destina parte dos seus lucros para
o fundo de cultura... este outro apenas se aproveita
da cultura local para lucrar. Faça sua escolha".
Nós faríamos uma certificação, de resorts, budegas,
taxistas. É mais fácil do que parece,
só precisa de vontade política.
A questão dos direitos está colocada, nem fui eu
que inventei.
O direito autoral como está hj, não beneficía
as expressões artísticas populares,
aquelas geradas entre as pessoas mais pobres,
entre as comunidades que tem pouca ou nenhuma representação.
Mesmo que a discussão seja difícil,
acredito que podemos nos aproximar de um entendimento
sobre direitos autorais difusos
de modo a proteger economicamente
quem cria, recria e mantém o que atualmente
todos desfrutam, mas poucos apoiam.
E eu me diverti muito no encontro de boizinhos.

eliasmouret

quarta-feira, março 2

É Turismo ou Cultura?

Parece fácil de responder...
Depois de divulgações de lá, reclamações de cá, cobranças e coisa e tal,
a briga segue boa em Recife.
Ontem inclusive, parte de um prédio da Conde da Boa Vista desabou.
Sim, a cidade está um caco, literalmente caindo aos pedaços.
Não sei como é possível atrair turistas, para um lugar imundo,
sem saneamento, com calçadas completamente deterioradas,
com crianças sendo exploradas sexualmente por "turistas"
e suas redes de apoio locais, com pedintes por todos os lados,
com esta iluminação pública com cara de boate,
com uma multidão de pessoas abandonadas a própria sorte
vagando pelas ruas.
Ou seja, problemas não faltam . O governador poderia entregar
o problema do saneamento para a empetur,não acham?
Os turistas, creio eu ficariam mais felizes em andar numa cidade
que não é um esgoto a céu aberto.
Ou quem sabe se a empetur não poderia recolher o lixo
das calçadas? Acredito que os turistas também ficariam
felizes em andar em calçadas limpinhas e cheirosinhas e kabum!
Esqueci o problema dos buracos que também poderiam
ser resolvidos pela empetur. Assim os turistas
não cairiam neles e não sairiam daqui com uma péssima
impressão.
A dúvida porém, persiste. É turismo ou cultura?
Calçadas esburacadas, ruas mal iluminadas, mendicância,
exploração sexual, abandono, exploração do trabalhador
da cultura, são ativos turisticos ou apenas culturais
que temos a oferecer?
A persistência destes problemas na cidade, sua presença constante,
a indiferença quase generalizada, também são parte de nossa cultura?
É ótimo que os artistas briguem por seus direitos,
mas quais são os seus direitos mesmo?
Cachê decente e receber em dia é só o começo gente boa.
Os problemas ideologicos por trás desta decisão
entre cultura e turismo, não deve sumir de vista.
Foi muita discussão sobre política cultural,
muitas conferências (um fetiche?). Governo do estado
e prefeitura apresentam seus planos de cultura
para dez anos, cem anos, mil anos. Muito papel,
muita conversa e o inferno cheio de boas intenções.
Quem lucra com o carnaval?
Quem lucra com o carnaval?
Quem lucra com o carnaval?
Pois é, as agremiações tem direitos sobre suas obras?
Se vc se utiliza de uma manifestação popular ou outra
para encher o seu resort, sua pousada, seu hotel,
vc não deveria devolver parte dos ganhos para a
manutenção dos artistas, blocos, bandas,troças
que a rigor são o que leva os turistas para seu resort,
pousada, hotel?
Ou é só chegar, roubar as plantas medicinais dos "índios",
levar para a suiça, fazer medicamentos, ganhar rios de dinheiro
e depois cobrar dos mesmos "índios"?
O carnaval é uma manifestação do nosso povo, para o nosso povo,
onde os turistas são convidados. A empetur não deve esquecer disto.
Nós não somos micos leões dourados em exposição num zoo.
Micos leões dourados tem hífen? Deixa pra lá que não me importo
nem um poco com "acordos ortográficos".
Não tenho nada contra turistas, mas depois que se criou esta
ilusão de que o turismo é tudo e redime economicamente
todas as cidades ( uma coisa realmente folclórica),
os fazedores de dinheiro, não querem nem ouvir falar dos
problemas que acompanham o turismo.
A imensa exploração dos recursos locais, que muitas vezes
são escassos, a exploração sexual de crianças e adolescentes
uma progressiva alienação da população quanto
aos seus bens imateriais.
A adaptação farsesca destes bens para que fiquem palataveis,
politicamente corretos, limpinhos como camarote vip.
É boneco que não diz palavrão, é maracatu sem santo, sem ritmo
sem povo, sem suor.
A convivência com o outro, com o turista, com o baiano, com os gregos
não se dá a custa de adaptações feitas para agradar,
para mostrar o quanto estamos no caminho da civilização.
Ela também não rejeita o diferente, nem mesmo o opositor.
É cada um sendo o que é.
Se Pernambuco não é Bahia, se Bahia não é Rio de Janeiro,
se Rio, não é São Paulo, se Sampa não é Floripa, não vamos falsear.
A cultura é o fundamento de uma civilização, é a própria civilização.
O turismo é só negócio mesmo e quem disser outra coisa pra vc
provavelmente está mentindo.
Há maneiras e maneiras de se fazer negócio.
Há economias mais justas e outras que exploram até o osso.
Pensar direitos, dos artistas, dos pedintes, dos abandonados, do público.
Pensar custos, da criação, da divulgação, da fruição.
Pensar quem fica com o encantamento, com a fama, com o dinheiro
com a carreira política bem posicionada.
Pensar no saneamento, no rio, nos peixes, nos ribeirinhos,na natureza.
Pensar no outro sem abdicar de si mesmo.
Pensar é livre embora alguns estejam morrendo de medo.

eliasmouret

segunda-feira, fevereiro 14

Memória Curta.

O que faremos com o pouco tempo que nos é dado?
Em uma hora, apresentamos uma peça.
Confusa para alguns, forte para outros, incisiva.
Nós podemos passar pela vida sem sonhos e ideais,
isto é mais comum do que se pensa.
Os que deixam os sonhos ausentes, não tem garantias
quanto as desilusões. Elas aparecem de todo modo.
Lembrei quando comecei a teatralizar as coisas,
num pequeno grupo do interior.
Comunistas, vagabundos, maconheiros e outros apelidos carinhosos.
Apresentávamos e chovia dentro do teatro...
Errávamos em tudo. Atores, dramaturgia, encenação,
tudo escapava pelos nossos dedos jovens e longos.
Nós sempre pensamos poder abraçar tudo.
Tudo acolher, destruir, reerguer, endireitar.
Os braços ficam curtos, ás vezes, mais que os dedos.
E os sonhos parecem ser grandes ilusões, que não perdoam
as nossas melhores intenções. Toda a nossa busca artística,
misturada com desejos de mudanças sociais,
de liberação dos sentidos, era permeada,
invadida, atacada pelo dia a dia vazio, pela desilusão,
pelo fracasso.
Como manter tudo aquilo diante da ausência de grana,
do outro, de si mesmo.
Cada um viu até onde o olho alcançava, tocou o que podia
e seguiu seu caminho. Os olhos não são iguais.
Nada é igual, tudo flutua.
Os risos não são concessões, as lágrimas não são as
únicas verdades humanas.
Se ficamos parados, outros saem e vão viver nossa vida.
Nenhuma redoma pode proteger o homem,
nenhuma couraça pode livrá-lo das feridas,
nenhum amor pode poupá-lo do sofrimento
e da perda.
Que o desespero não nos tome e a covardia não nos guie.
Esconder-se não traz nenhuma garantia,
mas é uma passagem certa para a vida medíocre.
Esta ainda assim, não te protegerá de nada.
Amamos então tudo o que passa, todos os sonhos,
todos os desejos e a luta.
Nossa couraça é quase sólida, por entre suas frestas
brilham nossos espíritos e anseios,
nossas lágrimas e sorrisos se misturam,
adornam e incensam a prece dos dias.
Bendito seja o sonhador, o que erra, o que ousa.
Grandes são suas desilusões,
maior é ele mesmo.

Quase Sólidos apresentou-se no
Janeiro de Grandes Espetáculos.
A Trupe agradece o convite.

eliasmouret

sexta-feira, fevereiro 4

Enquanto isto, na sala da justiça...

"O homem, na noite,
acende a si mesmo uma luz,
quando a lua dos seus olhos se apaga.
Vivo, toca na morte, quando adormecido.
Acordado, toca os que dormem". Heráclito de Éfeso.


Muitos são os mitos que construímos durante a vida.
Alguns não passam de miragens, ilusões dos sentidos, opiniões.
Outros, porém, partem da sua forma de gente,
igual a nossa, para ocupar um lugar superior.
É possível que durante a vida e em uma carreira qualquer,
algumas pessoas tenham alcançado uma estatura
real ou imaginaria que faz com que sejam assim tratadas.
Recife é uma cidade fértil em mitologias inúteis.
Aqui, o passado não encontra repouso,
as pessoas, os governantes, não deixam
o pobre Mauricio de Nassau morrer em paz.
A construção de figuras heróicas, importantes,
destacadas, sempre serviu ao poder.
Não que algumas figuras não tenham destaque,
mas o uso incessante de suas presenças
revela um pouco do tipo de civilização que queremos.
Há um caminho que vai pelo
reconhecimento da igualdade de todos
e também do mérito de cada um,
e que necessariamente comporta duas palavras
que ajudam a definir as relações em sociedade.
Isonomia é uma delas.
Aqui todos são iguais, tem o mesmo tratamento e não há privilégios.
Isegoria e outra... Onde todos podem falar,
tem direito a voz e a explanar seus desejos, sonhos, conceitos.
Para construir uma sociedade assim,
é preciso que cada um assuma uma luta incessante
para ser tratado com igualdade, respeito, voz e vez.
Sem paixão, nada se constrói.
O outro caminho é o dos privilégios.
Este, é fartamente conhecido dos brasileiros, onde
“todos são iguais, porém , alguns são mais iguais que os outros”.
É neste caminho, que patrão trata funcionário como escravo,
que os assédios morais e sexuais acontecem
e que os boçais de plantão, os bajuladores,
tratam as pessoas mais simples pela nossa conhecida frase...`
”Vc sabe com quem esta falando?
Aqui nos cabe fazer escolhas.
Pensei nestas coisas estes dias
e considerei um caso interessante na nossa cidade.
O governo estadual deveria funcionar como produtor cultural
ou apenas como fomentador da cultura?
Qual a razão para que o Mitológico Ariano Suassuna
tenha uma secretaria para as suas aulas espetáculos?
Este privilégio será estendido a todos os artistas?
O projeto cultural de Ariano não deveria ser submetido ao Funcultura
como todos os outros? Os artistas de Recife, não reclamam,
pois tem medo de perder alguma coisa
(pautas nos teatros, projetos recusados, empregos)?
Ou porque no fundo desejam ser tratados também de forma privilegiada?
Sim, eu sei reconhecer os méritos de Ariano Suassuna
e de outros artistas.
Numa sociedade democrática, estas pessoas são tratadas com respeito,
com dignidade, com honradez,
mas numa sociedade democrática,
este tipo de tratamento deve se estender a todos.
E todos têm o direito de participar igualmente
dos benefícios que o estado pode gerar...
Participar igualmente, quero reforçar.
Minha angustia aumenta a cada dia ao viver aqui,
eu que sou um “estrangeiro”.
Parece-me que tão acostumados à escravidão,
a sinhazinhas e sinhozinhos,
a privilégios de toda sorte,
a tratar a todos os aparentemente superiores por “senhor” e “senhora”
e aos mais simples com desprezo e repugnância,
nós os artistas deixamos completamente de lado
nossa capacidade de vanguarda, de rompimento,
de transformação, de tocar o sublime, de transfigurar.
Perdemos a paixão e o fôlego, não corremos riscos.
Queremos apenas privilégios também.
Talvez as pessoas não reclamem mais,
porque no fundo elas também querem uma assessoria especial.

Eu vejo vcs por ai, nos bares da cidade,
nos teatros, aqui neste blog. Um abraço.

eliasmouret

quinta-feira, janeiro 27

Sobre Quase Sólidos!


É possível que não encontremos todas as respostas
e que duvidar um pouco mais seja nosso caminho.
O caminho largo e aberto é tb uma maneira,
um modo de viver, um convite.
Há uma pressa grande em definir o nosso tempo.
Modernidade, contemporaneidade, pós-modernidade
hiper-modernidade, modernidade líquida.
Os academicos adoram terminologias...
não podem viver sem elas.
A rosa, se tivesse um outro nome perderia seu perfume?*
Quase Sólidos, está interessado nos aromas,
nos odores agradaveis ou fétidos.
Tudo bem, escolha a sua terminologia e viva.
Compromissos duradouros, podem ser postos de lado
a qualquer instante.
Nós passeamos pelas ruas e assistimos
a queda do modelo clássico do absolutismo europeu.
Famintos comemos com os olhos, os ouvidos,
os sentidos todos. A boca é insuficiente.
Quase Sólidos é uma oração de excomungados.
Santa Criança da cabeceira da ponte,
o senhor é contigo.
É com as massas árabes revoltadas.
Nada na peça me pertence, pois tudo é meu,
meu desejo e abandono.
Ontem descobri que quase tudo é mentira,
não era verdade, o que vc disse,
não era verdade o nosso acordo.
Sim, nossos acordos são quebrados a todo instante,
ou não entendemos muito bem sobre o que
estamos de acordo.
É possível que olhando para a mesma coisa
estejamos vendo coisas diferentes.
Provavelmente a nós mesmos.
Quase Sólidos é um chamado para olhar para si.
Descobrir um pouco do mundo, retomá-lo,
arriscar, abismar.
Correr riscos pode ser um bom sentido para a vida.
Não acha?
Por favor, não fale em arriscar com segurança, que isto
não existe.
O que precisamos é de prática em se esborrachar...
amar um cachorro, um ideal, uma pessoa, várias pessoas.
Ontem, depois do ensaio, atravessando a ponte,
vi uma mulher e uma criança e outra mulher e outra criança
num infinito cujo sentido me escapa
e não senti nenhum pavor.
Acho até que encontrei uma certa beleza em não saber.
Ou saber de outras formas.
Não se preocupe se vc não compreender tudo
em Quase Sólidos ou na vida, tenho impressão
que diretor, atores, sonoplasta, compartilham
por vezes, da mesma sensação.
Um novo começo para cada nova madrugada.
As viagens são os viajantes. O quase é nada...

* Romeu inicia a peça apaixonado por Rosaline.

eliasmouret

Quase Sólidos no Janeiro de Grandes Espetáculos
Domingo 30 de janeiro 21h.
Teatro Barreto Junior - Pina

quinta-feira, janeiro 6

Email aberto ao novo Secretario de Cultura de Pernambuco

Prezado Secretario Fernando Duarte,



Acredito que as pessoas que trabalham com a cultura no estado de Pernambuco, técnicos, artistas e fornecedores diversos, desejam que seja frutífera a sua passagem pela nova secretaria e que de preferência a secretaria não seja passageira ou lotação para inúmeros cargos.

Não o conheço pessoalmente, mas algumas pessoas que o conhecem informaram-me que o novo secretario é uma pessoa preparada para a função e pronta para ouvir a sociedade. Quanto ao preparo, só o tempo dirá. Considerando então a suposta abertura para o diálogo com a sociedade ( coisa que ademais todas as autoridades públicas deveriam ter, pois prestam um serviço a coletividade, embora algumas esqueçam disto rapidamente), tomei a liberdade de escrever este `email aberto', para desejar-lhe boas vindas e abordar alguns temas referentes a cultura que julgo importantes para a nossa reflexão.

Não pretendo aqui fazer um apanhado das coisas que aconteceram na antiga gestão da Fundarpe, pois penso que o Senhor é bem ciente delas, penso que algumas foram acertadas e outras não e espero que aquelas acertadas permaneçam e as demais, sejam corrigidas. O meu desejo é tocar nestas outras.

Então vamos lá:

O Estado tornou-se um agente importantíssimo de fomento a cultura em Pernambuco e a Fundarpe o órgão principal de gerenciamento desta política. Muitos eventos foram realizados e um processo benéfico de descentralização foi iniciado levando recursos públicos para o interior também. Embora eu particularmente discorde de algumas formas ( a participação ativa demais de prefeituras que sequer tem um órgão responsável pela cultura em suas cidades), concordo com o processo maior de permitir o acesso cultural a grande número de pessoas. Até aí tudo quase bom, então chega a hora dos pagamentos…

Aqui em Pernambuco virou a hora do pesadelo. Artistas técnicos, fornecedores e de forma geral qualquer um que trabalhe com a Fundarpe tem sempre uma reclamação quanto ao atraso muito grande nos pagamentos dos serviços prestados. O atraso é uma conversa recorrente nos bares da vida e nas noites recifenses. Não é preciso ser um gênio para entender que temos um grande problema nesta área e que sendo estes eventos quase sempre os mesmos todos os anos, um planejamento melhor poderia resolver a situação, ou então a instituição realizar apenas aquilo que pode. Este problema dos pagamentos não é uma questão só dos artistas, dentro da própria instituição muitas pessoas também não recebem em dia e é questionável se todo este atraso não viola seus direitos trabalhistas. Ha bolsistas, contratados, comissionados e todos eles precisam de um pouco de atenção. Não é possível manter e/ou desenvolver uma cadeia produtiva da cultura pagando sempre com atraso, tanto para quem presta o serviço, como para quem é responsável por gerenciar o mesmo.

Aproveito esta deixa de funcionários diversos para perguntar... Quando teremos concurso publico para a Fundarpe e plano de cargos e salários para seus funcionários, valorizando-os? Sim, sei que alguns cargos continuarão sendo de confiança e não tenho problemas com isto, desde que não sejam 10 mil e as pessoas estejam ali por competência e não por pertencerem a este ou aquele partido. O Estado, quero recordar, nos pertence, a nós cidadãos, não aos partidos, mas infelizmente assistimos dia e noite no Brasil um loteamento de cargos que muitas vezes nada tem com mérito.

Mérito secretario, também deveria ser o único critério para se eliminar ou aprovar um projeto artístico no Funcultura, não concorda? Não há razão para a manutenção deste modelo que elimina projetos por que falta uma carta de anuência, uma conta de luz ou algo do gênero. O único ‘envelope’ que deveria ser aberto deveria ser o do projeto artístico. Aprovou, tem-se um período para apresentar os documentos e assim firmar o contrato. Todas estas cartas de anuência, croquis, desenhos de luz, plantas baixas são obra de ficção, nos sabemos disto. Este amor casto pela burocracia também pode ser questionado. Há formas de se enviar estes projetos sem usar um só papel, o que além de diminuir a burocracia, ajuda a natureza. Grandes empresas que patrocinam a cultura tem adotado modelos totalmente informatizados onde os projetos são enviados on-line. É tão difícil fazer isto aqui?. Então quando falo no ‘envelope’ único, com o projeto artístico, me refiro a este sistema informatizado. Depois nós podemos mandar os documentos também digitais é claro. Não falta tecnologia no mundo de hoje para fazer tal coisa.

Fazer coisas secretario, depende de muitos braços e algumas são mais fáceis que outras. Nós artistas podemos criar nossas obras,mas é bem complicado construir um teatro ou uma galeria um museu e etc. Aqui tratamos também da infraestrutura para a ampliação da nossa economia. Pernambuco assiste a uma significativa expansão da economia do estado, com investimentos em portos, rodovias, ferrovia, que atraem outros investimentos e alavancam a produção, melhorando a logística e etc . Embora não seja eu, um economista, posso garantir que sem investimento na infra estrutura cultural a produção cedo ou tarde vai minguar. Um economista que estiver aí a seu lado poderá facilmente explicar a razão. Sim, é mais fácil fazer uma peça teatral que construir um teatro. E não seria disto que estamos precisando? Temos um teatro de boa qualidade um cinema elogiado, um a literatura das melhores, artes plásticas e fotografia tb. E espaços culturais pra apresentar toda esta produção? Nossos teatros, por exemplo, passam a maior parte do tempo fechados e se concentram todos no centro da cidade. Por que não uma rede de espaços culturais permanentes nos bairros e nas cidades do interior, com sala de espetáculos, cinema, bibliotecas, galeria e espaços para ensaios. Uma rede assim facilitará a circulação do produto. Há modelos diversos para construção desta rede, alguns equipamentos permanentes, outros de estrutura modular semi-permanente e semelhantes a lonas circenses. Terei prazer em conversar sobre isto se desejar.

Claro, que todas estas coisas precisam de recursos e de um comprometimento da nossa sociedade com a cultura. Penso que embora seja importante a participação do Estado na manutenção da cultura, chegou a hora destes empresários bronzeados mostrarem seu valor. Quantas salas de cinema a Fiat vai construir em Pernambuco? E o estaleiro atlântico sul, quantas bibliotecas? Quando ficarão prontos os teatros do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Jaboatão, estas cidades que não param de receber empresas. A grana investida no porto não é de todos? Queremos um comprometimento maior do empresariado pernambucano (sempre ausente) com a cultura e não estou falando em chás e colunas sociais. Penso que a secretaria pode fazer um chamamento da classe empresarial para uma maior participação financeira nos investimentos culturais. Não basta ficar usando imagens de caboclo de lança e passistas de frevo para divulgar suas marcas, não basta ser pai é preciso participar. Eu quero um pedaço de Suape para a cultura, eu quero um pedaço do pré-sal para a cultura e se nós encontrarmos ou desenvolvermos qualquer outra riqueza vou querer também. O desenvolvimento econômico do Estado não pode ficar na mão de meia dúzia. Um lugar que não aprecia e valoriza sua cultura e os agentes culturais é um ajuntamento e não uma civilização. Sei que isto não é algo diretamente ligado a secretaria de cultura, mas é política e podemos aproveitar o boom econômico também na estruturação das nossas cadeias produtivas.

Pense com carinho e deus nos livre de artistas ingênuos.



Este email como escrito acima é aberto e estou publicando o mesmo no blog da Trupe. Espero ter iniciado uma conversa boa e desejo continuá-la, quem desejar participe também.

Sinceramente desejo-lhe sucesso. Os contatos seguem abaixo.

Elias Mouret.

trupedecopas.blogspot.com

eliasmouret@yahoo.com.br

quinta-feira, dezembro 16

Twelfth Night - Parte 3

Aqui temos a cena 5 do primeiro ato. entre outras coisas, ficamos sabendo
do luto de Olívia por seu irmão e nos encontramos com Feste
( que já havia aparecido brevemente) e com o sempre simpático Malvólio.
Nesta cena também podemos ver um pouco de Sir Toby e
Sir Andrew ( pretendende de Olívia) e voltamos a nos encontrar com
Césario/Viola enviado pelo Duque para cortejar a Condessa.
Para quem chegou agora, infelizmente não temos as legendas.


terça-feira, dezembro 14

Ophélia || d'Improvizzo Gang

Ophélia é Polly, é Paulo, é Shakespeare...
É a corda, acorda, adormece na luz.
São os alunos de cênicas da UFPE,
é a pracinha da Várzea, são as rodas d'Improvizzo.
Provavelmente quem não viu e não conhece
não está entendendo nada do que escrevi até aqui.
Vou tentar esclarecer agora, senão, depois.
Quem não conhece Hamlet? Pois é, ele quase não aparece...
A peça está em cartaz no teatro Joaquim Cardoso.
Sim, é uma peça.
Tempo vai tempo vem e Ophelia surge em algum lugar,
com sua loucura apaixonada, irônica e suave.
Com sua agudeza de punhal e veneno.
Arrasando no violão com uma balada triste
do reino da Dinamarca, vai construindo sua própria corte.
Nós, somos convidados a fazer parte tb
e eu, ai de mim, fiquei como plebe mesmo.
Ophélia é um estado de ligeirezas e pausas
e um convite a catarse de bolinhas de papel
contra os mandatários.
Ás vezes nos apaixonamos na primeira olhada,outras
precisamos ir construindo pouco a pouco (tem hífen aqui?).
Quando será que a pobre filha de Polônio,
apaixonou-se pelo príncipe da Dinamarca?
E ele, só pensando na mãe e no tio.
O coveiro, este sim sabe das coisas,
só não sabe mais que o verme, que por sinal
é um túmulo.
Todo mundo precisa de um coveiro para um conchavo,
uma espécie de conivência e acordo.
Acordo muito necessário para o teatro.
Foi Hamlet que morreu por causa de seu pai,
mas é Ophèlia que usa o vestido de casamento de sua mãe.
As melhores jóias da Dinamarca, à luz mais certeira,
de Cleison, emoldurando as flores na janela.
Ophélia é Polly, que vai traçando um enredo
de contas e contos e nos envolvendo numa trama suicida,
que acontece diante de nós e não percebemos.
Ophélia é Michelloto e suas palavras de moicano,
sua corda estendida, despretensiosa e má intencionada,
um laço, um nó, uma forca fazendo carinho no pescoço.
Ophélia é Shakespeare, para quem entende do mesmo.
Não para quem tem devoção por Bárbara Heliodora,
mas nunca leu uma peça (coisa comum em Recife)
e no máximo já ouviu falar de Romeu e Julieta.
É possível que aproximando-me do final,
não tenha esclarecido quase nada.
Então vá ver a peça, que faz sua última apresentação
próxima sexta-feira e faça seu comentário.
Se não for agora será depois e no fim,
estar pronto, é tudo!

eliasmouret

sexta-feira, dezembro 10

Twelfth Night - Parte 2

Um pouco mais de Shakespeare.
Aqui temos a segunda parte de "Noite de Reis"...
uma adaptação de cenas do primeiro ato,
no palácio do Duque e na casa de Olívia.
Além da transformação de Viola em Cesário,
tomamos conhecimento do estado amoroso do Duque Orsino,
e somos apresentados a Malvólio, Maria, Sir Toby
e Sir Andrew, entre outros personagens.

quarta-feira, dezembro 8

Twelfth Night - Shakespeare

A Trupe de Copas, apresentou meses atrás, leitura dramatizada
de uma das mais belas peças de
William Shakespeare.
"Twelfth Night", em português, "Noite de Reis".
A apresentação aconteceu dentro do projeto
Leia-se Terça, no espaço Muda.
Shakespeare, sempre foi um dos meus dramaturgos
favoritos e junto com os companheiros da Trupe
resolvemos desenvolver um projeto de leituras
das peças do mesmo. É verdade que o autor
é muito conhecido, mas este conhecimento, muitas vezes
é apenas superficial e a maioria das pessoas,
nunca leram suas obras ou viram encenações das mesmas.
O cinema tem nos dado filmes muito bons sobre
algumas destas obras. Este que vai abaixo é um deles.
O filme tem direção de Trevor Nunn e um elenco que é uma beleza.
Como é coisa boa, pra variar não chegou ainda ao Brasil.
Só importantando ou vendo pelo youtube.
Aqui temos a segunda cena do primeiro ato ( com adaptações).
Infelizmente não temos legendas.
Ah, continuaremos com o projeto sobre Shakespeare...
aguardem "A Comédia dos Erros".
Os clássicos continuam fundamentais!

eliasmouret

domingo, dezembro 5

Poesia Completa - Volume 1 - Parte 4

"Tudo é sertão
tudo é sertão nos sentimentos.
Os encontros trazem sempre
uma semente de despedida, de saudades.
Todo entrelaçar de dedos,
de pernas de trilhas,
é um prenúncio de afastamento.
Há distâncias breves
outras infinitas.
Que nos seja piedosa a vida.
Rebrilhem no céu as estrelas
e a lua de fases
não nos deixe sempre minguar.
Nossos corações se tocam.
Tudo é paixão, aromas, sabores
lençóis e cama.
Os olhos se iluminam
ou são iluminados.
Os infinitos de cada um
comungam e são felizes.
Uma felicidade de fado e tempo".

"Ventos que me levem
que me levem para longe dos meus sentimentos.
Há fogueiras no meu coração
e brasas e faíscas e dor.
Ventos, atacai as rochas,
mudai os caminhos, as estradas, os sentidos.
O quanto me dói ser como sou
apaixonado.
Queria eu, ser como uma pedra
ser igual aos outros.
Viver plantado no mesmo lugar,
nas mesmas crenças, palavras, amores.
Eu finjo ser um demônio melhor...
e silencío e tramo e amo".

"Só as cigarras cantam até morrer.
Meu amor fugiu pelos caminhos...
eu deixei, deixei ir,
mas não de amar.
Eu penso.
Recordações invadem minha mente...
misturo-as com a imaginação.
Finjo que ela
não olhava através de mim
como quem olha
através da vitrine e deseja.
Um manequim
ela era, tão linda e fria e frágil.
E as andorinhas?
A beleza secou como as cigarras.
Ela fugiu pela terra
eu pelo mar.
E o que farei com as andorinhas
em meu coração?"

"Em torno de uma certa passagem
encontrada num romance
segue errante
entre àfricas itinerantes
contínua ficção de vida
história de arte futurista
em cenas de um cotidiano desacompanhado
como um Judas Macabeu
contra o diabo".

"Mensagem subterrânea
lembrança desesquecida
chegaste de madrugada
num clarão de hora perdida.
Boneca de porcelana
brinquedo de 'cademia'
chegaste pela manhã
em hora já esquecida.
Nada houve realmente
nesta jornada febril
e fugiste pela noite
deslizando pelo rio
num barquinho de papel".

"Vento, véu, ventre
vida, vela, veneno
volta, vão, verde,
vazio, velocino
vácuo e vai-e-vem
pirilampo, verão
viagem, viramundo
verbo, valsa
vermelho, vanádio
vapor, vitória, verdade
virgem, várzea
vastidão, vinho, varanda
verdugo, Vedas
veias, velhice, viúvas
violeta, vagina
voz, violência
vulto, vunerável".

eliasmouret

quinta-feira, dezembro 2

WIKILEAKS - FICA A DICA - TOP SECRET

SECRETO HALUQUISTÃO DO LESTE 007

CSI- MIAMI

i.a.o.k.l 12345: DECL: 34/08/2135
TAGS: RIO CALIENTE, HESBOLLÁ,FICA A DICA,TORA BORA, Relações bilaterais com xxxx
TEMA: FICA A DICA,IDENTIDADE DO FUGITIVO,VUVUZELA,CONTRATERRORISMO: Almoço do embaixador com o general.Ministro da Segurança Interplanetária
Classificado pelo embaixador Charlie Brown - TOP SECRET

1.(S) Embaixador recebeu o general, ministro da Segurança Interplanetária, em um almoço no motel Rio Caliente. Embora o general tenha gostado muito do almoço reclamou que a sobremesa foi melhor da vez anterior, o que demonstrava o grande apreço pelo seu alto escalão. O general comanda entre outras coisas a pesquisa de teletransporte nos orelhões da TELEMAR e as câmeras de vigilância da rua da Aurora, Além de sua equipe própria no Ministério de Segurança Interplanetária.(MSI), que conta com representantes das diversas agências de segurança e de relações exteriores do governo democrático do HALUQUISTÃO DO LESTE, o general também é responsável por comandar a Agência de Tranferência e Realocação de Pensamentos Estratégicos Nacionais (ATRPEN).

2. (S) A região do Triângulo das Bermudas: O embaixador pediu ao general uma avaliação da situação quanto as pistas do acima citado FICA A DICA e suas relação transnacional na região do Triangulo das Bermudas, Atlantida e Olimpo. O general admitiu que há problemas sérios na região e que a movimentação do indivíduo não pode ser facilmente rastreada o que causa grave preocupação no HALUQUISTÃO DO LESTE. Admitiu entretanto o general que tanto a ATRPEN quanto as diversas forças especiais estão no encalço do acima citado e que agradece a contribuição oferecida pelo CSI - MIAMI embora ele tenha preferência pessoal pelo CSI - NY ou BONES e que espera logo por as mãos no indivíduo para começar o MMA.

3. (S) Contraterrorismo: Quanto a este tema o general não deixpou claro se gostaria de ver FICA A DICA estigmatizado como pertencente ao Hezbollá,a um grupo mujahedim que resiste nas cavernas de TORA BORA, como padre pedófilo no Vaticano ou traficante no Complexo do Alemão.Isso levou a uma discussão das questões/operações de como desacreditar o indivíduo junto a mídia interplanetária e no Triangulo das Bermudas. O general disse que a CIA cooperou estreitamente com ATRPEN para fazer a investigação conjunta de indivíduos que despertam o interesse, e o embaixador expressou sua apreciação por essa assistência. O general disse que, além das operações conjuntas nas quais estamos trabalhando o governo do HALUQUISTÃO DO LESTE pretende fazer um apelo para que BENTO XVI condene o ENEM (Exercito Nacional de Elementos Místicos)braço armado do movimento e possível apoiador do indivíduo. O general também expressou o seu desejo de que trabalhassemos junto aos conselho dos anciãos para que condenassem qualquer postura de apoio ou acolhimento de pensamentos não regulamentados e de interesse extra-territorial.O general concluiu esta parte acrescentando que as medidas de contraterrorismo ficam prejudicadas por não se saber a identidade secreta do CORINGA, digo de FICA A DICA, embora as recentes investigações quanto a isto indiquem diversas possibilidade, como JOÃO DO MORRO,
CAPITÃO NASCIMENTO, SNOOP,e ele mesmo.

4. (S) Vuvuzela: Após a discussão sobre CT [contraterrorismo], o embaixador levantou a questão da Vuvuzela e seu presidente, Victor Hugo, e observou que Os Miseráveis estão atrapalhando os esforços do HALUQUISTÃO DO LESTE para exercer um papel de liderança política e econômica no Triangulo das Bermudas. O general demonstrou certa irritação quanto a Victor Hugo e admitiu com uma franqueza incomum que prefere Émile Zolá embora não conheça nenhum dos dois pessoalmente. Ainda assim o general acredita que deve incentivar a dissidência. O general observou que, quer sejamos pró ou anti-Hugo, este já se tornou uma parte integral da realidade Vuvuzeliana e do Triangulo das Bermudas.

5. (S) Comentário da Embaixada: O general é um indivíduo que controla seus pensamentos com lexotan e não parece gostar de brincadeiras com assunto tão sério. Demonstrou grande vontade de ver esta questão solucionada o quanto antes e se comprometeu em empregar todos os seus esforços para que assim seja (AMÉM- intervenção de BENTO XVI)Ele não quis revelar suas pretensões políticas futuras, garantindo total lealdade ao atual líder do HALUQUISTÃO.Penso que não foi totalmente sensato quanto a avaliação que faz da Vuvuzela e demonstrou também limitado conhecimento sobre entropia e teoria do caos. Entretanto suas ações tem colaborado para melhorar a percepção sobre a nossa presença no Triangulo das Bermudas, sua presença contínua na ATRPEN pode ser vista como positiva para os interesses dos EUA. BROWN 1098 - 3765=876UUU

No forno 2!

Ainda hj no blog da Trupe:

Será que o Wikileaks vai revelar quem é "Fica a Dica"?

O que pensa o embaixador americano sobre isto?

Qual a posição do Irã?

Bento XVI fará uma declaração?

segunda-feira, novembro 29

Teatro!

Novembro chega ao fim.
Outra vez a cidade está tomada por festivais...
Sim, o segundo semestre é deles, os festivais.
Este ano felizmente havia o que ser visto e mostrado.
A produção de artes cênicas foi bastante generosa.
Já deu pra perceber como as coisas se comportam aqui,
se os apoios aparecem, temos safra, se não aparecem aí já viu.
Bem, isto pode servir pelo menos para aprimorar
o planejamento para pesquisa, produção, distribuição de verbas
e exibição. Na parte de exibição, temos o maior gargalo.
Gosto desta palavra (gargalo), ela é bem vista pelo poder público,
políticos de todas as matizes usam-na para falar mal
uns dos outros:
E os comentaristas de economia tb gostam.
Bem, mas é isto mesmo. Não adianta muito produzir,
sem ter onde apresentar. É só somar 2+2. Não vai dar 7
nem com muito esforço inflacionário.
Puxa, mas eu me distraí. O objetivo hj era falar de
dois espetáculos que vi na cidade este mês. Novembro.
Peças completamente diferentes.
Vou começar pelo SER,O NÃO SER, que fui ver no
teatro Joaquim Cardozo.
Um espetáculo de formas animadas, feito por jovens artistas
que souberam construir algo belo e sensível.
O trabalho utilizou-se de técnicas de manipulação e luz negra,
para dar vida aos sentidos, as coisas, aos 'bonecos',
para nos divertir e fazer pensar (sim, que estas coisas
podem andar juntas).
Como nós somos formados? Pedaço por pedaço?
E se eu perdesse o meu nariz?
Eu tentaria de todas as maneiras encontrar meu nariz,
com um olho olhando para o norte outro para o sul.
Como quem tenta encontrar alguma coisa fugidía.
Claro, que narizes, não suscitam realmente a imagem
de coisa fugidía, etérea, mas quem é que tá falando
de nariz aqui? Então por favor faça um esforço.
Eu me diverti pensando, coisa que afinal de contas
não é tão difícil assim, e que os artistas recifenses
deveriam praticar mais.
A peça tem momentos tão lindos, suaves
bem cuidados
e outros que não gosto muito. Como a vida.
Certo, não gostei muito da música.
Não as obras musicais usadas, mas a aplicação
das mesmas... muito som, pouco silêncio.
E o silêncio é uma benção para a arte.
Espero que a Trupe Bonecos do Capibaribe,
continue trabalhando e pesquisando esta maravilha
que é o teatro de formas animadas.
No boneco a vaidade do ator não tem chance.

Vi também MEMORIA DA CANA.
Que beleza de peça, bons atores, bom texto
sonoplastia e direção.
É uma montagem de Nelson Rodrigues,
uma das poucas que gostei até hoje, pois não suporto
aquelas montagens que imitam o que a
rede globo fez com a obra de Nelson Rodrigues.
E não faltam montagens deste tipo,
algumas até muito elogiadas por aí,
todas iguaizinhas, sem criatividade e ousadia.
MEMORIA DA CANA, está bem longe destas montagens.
O trabalho é bem cuidado,lindo, com uns cheiros e sons
que evocam ancestralidades, que encantam.
Um texto que flui como água
na boca de atores experientes e preparados.
Sim, que Nelson Rodrigues é poesia escandalosa
e é preciso ter fibra e doce. Como a cana-de-açucar.
Nós estávamos todos envolvidos num partido de cana
dentro de casa, espiando os quartos, a sala, a cozinha
as almas, os antros.
Só Nonô, estava livre, solto e perturbado.
Nonô, um dos filhos...
Como seria bom, que uma peça como esta ficasse em temporada
aqui pelas bandas do Recife.
Como é bom ir ao teatro, conhecê-lo mais
e ter com ele uma amizade sincera, que exige e que perdoa.
Muitos não frequentam o teatro, por não terem acesso,
por não entenderem ou por outros motivos.
Aqui, temos até um incrível fenômeno,
alguns professores de artes cênicas, nunca vão ver
o que se passa no teatro da cidade.
Bem, isto é material para outro post.
Quiz trazer um pequeno exemplo
do que é possível ver por aqui...
Broadway e off-Broadway.
Fico por aqui, por hora. E Viva o Teatro.

sexta-feira, novembro 19

The Pulp Fiction Project

O projeto é uma parceria da Cia. d'Improvizzo Gang com o LAC, laboratório de Artes Cenicas, do departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística da UFPE.
Estão acontecendo apresentações semanais de dança, teatro, música, performances e exibição de filmes.
Já está rolando desde maio, quando foi estreiado por Quase Sólidos, da Cia. Trupe de Copas.
Por lá já passaram Déjà vu, do grupo Graxa (PB), Berceuse, Aleteia e Ophélia, do DIG.
Venha conferir!
Programação:
27/10/10 * Erêndira / Dir.: Jorge Feo ( Extraordinariamente às 19:00h) / Teatro.
03/10/10 * 8,5 mb / Grupo ACASO/ Dança contemporânea.
10/11/10 * Conjuntos de música (diversos)/ Depto de música UFPE/ Sérgio Godoy.
17/11/10 * TXAIMUS/ Conjunto de chimes do Depto de música UFPE/ Flávio Medeiros.
24/11/10 * Dois Seres/ Cia. de teatro e dança pós- contemporânea d'Improvizzo Gang (DIG).
01/12/10 * Regência/ Depto de música UFPE/ Sérgio Deslandes.
Fique atento à programação, aqui.
Local: Teatro Milton Baccarelli/ CAC/ UFPE.
Quando: Toda quarta- feira (exceto feriados).
Hora: 18:30h
Entrada Franca.

postado originalmente em d'Improvizzo Gang
por mickey mausssss.

eliasmouret

domingo, novembro 14

Eu Acuso!

Não deve haver nenhum tipo de apoio à arte.
Nenhum centavo deve ser gasto com esta coisa inútil,
que coloca vento na cabeça das pessoas.
Nada de editais, de apoios, de festivais,
de patrocínios. Nada de Mecenas.
Pelo fim da arte libertadora.
Nenhum investimento em arte, abaixo o desperdício.
eu acuso os empresários pernambucanos
e sua latente pernambucanidade.
Acuso-os de apoiar a arte e a cultura,
de promover o desenvolvimento humano
e a apreciação e criação estética.
Suas empresas patrocinam todos os festivais,
eventos, exposições, peças, filmes.
Suas marcas são amplamente divulgadas
em cartazes, banners, filipetas, chamadas no rádio e na tv.
Eu acuso estas pessoas de gastarem seu rico dinheiro
apoiando a arte,
quando deviam comprar um iate novo,
um carrão gigantesco e poluidor,
o maior transatlàntico do norte/nordeste.
Também os acuso de apoiar o brega, a música erudita
as exposições de artes plásticas, a ópera,
o teatro, a fotografia, o circo, a dança.
Não é possível mais suportar
tanto dinheiro da iniciativa privada pernambucana
sendo investido loucamente na cultura.
Para que isso? Para que cultura?
Economistas liberais me socorram...
não devemos deixar tudo a cargo do poder público?
Estou cansado de ver o apoio dado
pelas emprensas pernambucanas
ao pessoal da fotografia.
E os incríveis projetos culturais
desenvolvidos com o apoio das empresas
nacionais e estrangeiras
que se instalam em Suape, também me aborrece.
Este dinheiro todo poderia ser gasto
de outras formas.
Não nos falta em que investir.
Também estou cansado de ver o crescimento
desenfreado das fundações particulares,
não institutos, mas fundações,
que colocam recursos próprios
para desenvolver projetos.
Ah, como me deixa triste ver todas
aquelas marcas de empresas pernambucanas
apoiando o carnaval.
Um evento que diga-se, não traz nenhum benefício
para as empresas.
Não aumenta o consumo dos produtos que elas fabricam,
não lota os hotéis e pousadas,
não enche os motéis,
não vende cerveja e camisinha e agua mineral.
Não traz turistas para o estado ajudando a divulgar o mesmo.
É um aborrecimento ver o apoio
dado pela rede hoteleira do estado
a eventos como festival de inverno, carnaval, etc.
Não devemos gastar com estas coisas.
Não há nenhum benefício para os empresarios pernambucanos
na eterna divulgação dos nossos valores culturais.
Eu acuso os empresários pernambucanos
e aqueles que com eles se juntam para fazer negócios,
de divulgar nossos valores culturais,
além de investir altas quantias
apoiando, maracatus,blocos líricos, grupos de teatro,
coletivos fotograficos, músicos e cineastas.
Nenhum país pode se desenvolver desta maneira.
O bom e rico dinheiro, não pode ser gasto
cuidando do espírito.
Eu acuso os empresários pernambucanos
de desenvolverem uma ampla rede de espaços culturais
em bairros de periferia, que não valem nada.
( os bairros, claro).
Acuso-os de promoverem a arte, como um dos meios
de promoção humana, combate a violência
e melhora da auto-estima.
Acuso-os de promover a liberdade de expressão.
Eu acuso estas pessoas
pela sua imensa, irrestrita, dinâmica e persistente
responsabilidade social.

eliasmouret

quarta-feira, novembro 10

Poesia Completa - Volume 1 - Parte 3

"Há uma florzinha que gosto
que só floresce à noite
e dá em uma árvore
que morou lá na calçada.
Não sei o nome da flor
nem sei o nome da árvore
sei que floresce à noite
e murcha pela manhã
contrariando assim o lugar comum
Quem sabe é um passarinho
que em flor se transformou
ou talvez uma índia bela
perdida de seu amor.
Sei que passou um tempo
em frente à minha casa
vivendo numa calçada
e um dia,
anoiteceu e vôou".

"Não vai ficar nada
quando tudo acabar.
tudo vai dar em algum lugar?
O resto, a existência
que do nada, nada virá
ou eu apenas tropecei na filosofia?"

"Caiu a tarde
quebrou as juras
torceu a roupa
com sua mão
à luz da lua
que se aproxima
e empurra o vento
fazendo a onda
bater na rocha
que sem querer
tudo observa."

"A mente vagueia pelos infinitos
de vai-e-vem
de cinzas e descanções
amorosas
Quanta história de amor
acaba em nada."

"Ele pulou no infinito
se estatelou de nudismo
abandonou sua bolsa
que tanto me incomodava
e libertou-se no pó
dando um sorriso de lado
de cabelo esvoaçante
foi cultivar as estrelas."
(para Zoltan )

"Fechar os olhos no santuário
e inspirar o silêncio
dos claustros, das sombras
das mentes.
com os pés nas águas que correm
cansadas das margens
imóveis de saudade
Abandonado no infinito dos sentidos
entrar no paraíso."

"Perdeu-se o peregrino
na peregrinação
de azul celeste
Vendo a santa no andor
ele roubou sua imagem
dos olhos dos fiéis
e amou...
como foram amadas as filhas do Faraó
no céu!"


eliasmouret

quinta-feira, novembro 4

Sobre as coisas e a jornada!

Longe está o dia da colheita...
O que precisamos perder para percebermos
que cedemos demais? É possível prescindir das virtudes?
Vivemos num tempo que parece abandonado
no próprio tempo. Um tempo de realizações melancólicas
de lembranças daquilo que não foi realizado,
não foi possível, do que se frustou por sua própria essência
ou pela ação violenta dos opositores.
Nosso mundo já é assim tão digno
que devamos abandonar nossas armas e viver como
simples pedaço de carne num reality show?
Eu mostro minha bunda, vc mostra suas coxas, ele o bíceps.
Ah, que gozo, que show do milhão.
E o amor afinal, que utilidade tem?
Com a letra "a" quantas coisas vc consegue enumerar
que não são possíveis de serem abandonadas?
Amor, amizade, ação, ascese...
Faça uma listinha, minha intenção é ver se pelo menos
conseguimos chegar a justiça ou virtude.
Quem sabe passagem ou silêncio.
É impressionante como o alfabeto de alguns é
extremamente limitado. Uma boca banguela
sem a sabedoria popular.
Eu imagino o dia em que voaremos livres pelo universo.
Enquanto isto, aqui, podemos carregar conosco
uma pequena 'bagagem de mão'. É ela que vai nos ajudar
a cruzar as fronteiras, a dispersá-las,
a superar a dicotomia esquerda-direita
a aposentar o passaporte, a enxugar as lágrimas.
Em nossa pequena maleta, bisaco, bornal, mochila,
poderia faltar a poesia, a indignação, o Tao?
É nosso coração e mente, que conduzem nossos pés,
embora alguns sejam feitos apenas de estômago
e obviamente vão me considerar um tolo sonhador.
Os sonhos então, onde estarão?
Eu os conduzo, eles me conduzem, somos amantes.
Vou levar comigo também, tempo, alegria e palavras,
agir e não-agir.
Não poderei deixar de lado os espinhos na carne.
Agreste também vai. Esta região que não é tão áspera
quanto o sertão, nem tão doce quanto a zona da mata
e seu açucar de escravos mascavos.
O que nós podemos abandonar,nossa dignidade?
É possível viver sem luta?
E por favor não vamos confundir viver com existir.
Sinto que me falta o rigor filosófico...
resolvo isto com filosofia.
Gosto de ipês roxos, rosas, amarelos e brancos.
Da sombra que refresca um dia de verão.
quando criança, minha mãe presnteou-me com um livro:
"A fazenda do Ipê amarelo". Nunca mais o vi.
Colocarei livro, cores, verão, sombra e água fresca,
coisa que falta a muita gente por aí,
gente que bebe de uma água salobra e amarga
de uma amargura que vem do ventre
que tinge de cinza ou verde o líquido da vida.
Dúvida também estará presente. Esta coisa que
me faz sofrer em delícias todos os dias e algo mais.
E sementes...
Acordei com indignação de palavras,
caminhando na corda estendida
entre o homem e o super-homem.
Levo também sexo e chocolate,
corrida solitária e apreciação filosófica
dos horizontes marítimos.
Sacrifício, coragem, oração e vitória.
Espanto , entrega e arte.
Deus, meu deus, porque me abandonaste?
Terei temores e uma janela.
Chuva, chuva chuva e o cheiro de terra que me agrada.
Fascinação e despedida.
Ontem encontrei com meus amigos da Trupe de Copas,
falamos de Shakespeare, de política cultural,
de estatutos. Como sempre, falei demais.
Acredito que este é um método de tentativa e erro.
Eu escrevo para eles, para vc, para mim mesmo.
Sim, para meus fantasmas e demônios.
Eu desejo para eles a santa indignação das palavras
do agir e do não-agir.
Nós caminhamos juntos e embora eu saiba, como disse
o profeta, que "um é o que planta e outro o que colhe"
uma luz ilumina minha alma.

eliasmouret

terça-feira, novembro 2

"Grande parte dos homens não pensa sobre a tempestade ao embarcar!"

Hoje celebramos os mortos...
Os cemitérios estão cheios, nós convivemos com a morte.
Neste lugares, erguemos tumbas de diferentes feitios,
de mármore e barro, cercadas de flores e obras de arte.
Os rituais, que alguns equivocadamente pensam perdidos,
nos trazem um alento indefinido e triste.
Há quem prefira queimar o morto e guardar as cinzas...
Alguns enchem o coração de cinzas por toda vida.
Afastar-se dos rituais de despedida,
não desejar sofrer, não encarar as perdas,
é o caminho de muitos hoje.
Penso que é um caminho equivocado,
assim como é também incorreto, estender o luto
indefinidamente.
Muitos usam o sofrimento da perda, como desculpa
para uma vida mergulhada no nada, na covardia.
Podemos sempre justificar nosso comportamento
citando a nossa dor imensa.
Os rituais existem não só para trazer suavidade
aos vivos, mas também para deixar que
os mortos sigam seu caminho.
Tudo acaba, fenece e se afasta.
Algumas coisas completam sua jornada
dentro da própria vida.
Como um amor que julgamos eterno,uma roupa
que gostamos, um ideal que nos tomou a juventude.
Deixar que cada coisa cumpra sua jornada,
que a flor murche, que os amigos sigam viagem,
é um "sintoma" de sabedoria.
No momento em que escrevo,
tenho em mente as pessoas que perdi
para a vida e para a morte.
Quando deixei que seguissem seu rumo,
dei um primeiro passo para ser livre e viver.
Aqui, não há nenhum elogio da indiferença,
do destino fatalista ( em que não acredito),
do abandono da luta.
Ao contrário, é um convite a uma comprensão
de nós mesmos, dos seres, das coisas,
que permita a vida para além das nossas necessidades.
As pessoas não vieram ao mundo para nos fazer felizes.
Também elas, acredito, trazem a sua lanterna
e tem uma existência desligada da nossa.
É uma relação afetiva, um bem querer, um amar
que aproxima o que necessariamente é diverso.
Nosso coração foi tocado por algo, que nos faz
imaginar sermos donos do objeto que desejamos.
É um engano. O amor, sempre liberta, encanta, eleva.
Na morte,não há indgnidade.
No sofrer, no lamento, na tristesa, não há vergonha.
Indigno e vergonhoso, pode ser o nosso comportamento
diante das perdas, e do acabar.
Os pássaros são mais livres no ar...
e quando estão voando, nem por isso
deixamos de pensar que são nosssos.
Coisa triste é uma gaiola e transformar o coração
e a mente em algo similar é doentio.
Vive aquele que liberta o outro,
até também ele ser livre para algo incognoscível.
Amar o mistério e o escondido.
Tomei Sêneca emprestado para escrever este texto
e quero findar com algumas palavras do mesmo:

"Meu discurso, se dirige aos imperfeitos, aos
medíocres e doentes. Não ao sábio...
tem consciência que a vida é algo que lhe foi dado
de empréstimo...
Existe a doença, o cativeiro, a ruína, o fogo.
Nenhuma dessas coisas é surpresa. Eu sabia
em que tumultuosa hospedaria a natureza
me enclausurou...
Grande parte dos homens,
não pensa sobre a tempestade ao embarcar."

* Sêneca - Da tranquilidade da Alma.

eliasmouret

sexta-feira, outubro 22

Poesia Completa - Volume 1 - Parte 2

"Sonhei que circundava penhascos
deslizando num relance de abismos
via-láctea escaldante de estrelas
num romance de Leviatãs e oceanos
Barco solto em tapete esverdeado
que faz ondas e espumas de algodão
branco leite de onde sai o arco-íris
E esbarrei numa estrela pequenina
guardiã de meus sonhos mascarados
afogado em instantes que deslizam
no infinito escarlate do tempo
que a tudo acabou sem deixar ecos."

"Levo alguma prosa sob o manto
para descortinar sobre a Jerusalém de pedra
Pelas frestas das muralhas
derramarei óleos aromáticos
espalharei um pranto
Um choro ocre, levemente amadeirado
daqueles que sentem a atração da terra
e deitam junto às flores acossadas
entre a construção impiedosa
e os passantes."

"Quando inventaram a fila
a lua ficou enrugada
e correu pelo inferno
um sorriso malicioso
de um demoniozinho
criança de Arrabal...
e era só o começo!"

"É preciso achar as palavras
certas, setas
para não magoar
a sensibilidade contemporânea
dos performers
repetentes de décadas passadas
revolucionários de ontem
de manhã
e de ressacas."

"Quem quase acerta
erra
quem quase amou
dançou
quem quase peca
enche
a paciência do santo
que não te perdoou."

"Aquilo que não é visto
não existe?
Como o Saara
o maior inexistente.
Os africanos, os sentimentos
e a ex-Iugoslávia
O que é um ex-sentimento
ex-país, ex-palavra?
Quem já viu todo o deserto,
a existência?"

"São formosos os teus pés de rachadura
como escultura divinatória que caminha
Os teus lábios guardam um paladar desfeito
e já não se ouve tua voz melodiosa
Tua estatura envergou-se com o tempo
e o que era alto, se arrasta no caminho
Os teus pés se apoiam sobre a cinza
em que teu ventre se desfez
neste sendero.
Em teu rosto nenhum desespero...
Para quem passa distraído
estás perdida
mas eu que te guardei no escondido
olho para o alto e vejo
a fênix que vôa!"

eliasmouret