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segunda-feira, março 28

Uhú Dona Lindu!

Gente, gente, e o Dona Lindu?
Não tem mais que duas árvores. Hoje tudo é sustentável, tá na moda, da cadeira ao Itaú! Mas, não é muito sustentável esse Parque... Contudo tem os retirantes!
E o mar? Tá chegando com tudo. Ontem me assustei com o avanço do mar... Mas, não interessa, em 2012 tudo vai acabar mesmo, menos o Abelardo da Hora que é o máximo.
O show de Lenine foi legal, mas a Sinfônica é meio mono, não acham?
Sei lá, falta algo. Vai ver falta eu entender de música... Ou não.
E os fogos de artifício? Por conta deles quase que Val Lima se estrepa! Queimadura na pálpebra e lesão na córnea.
É, são os profissionais pirotécnicos contratados pela Prefeitura do Recife.

O Parque é bonito, o Niemeyer desenhou bem, o acabamento é que tá mais ou menos.
Bom é ver crianças brincando, correndo, levando tombos com seus skates. Bom é ver as senhorinhas sentadas vendo o Lenine, tomando uma brisa.
É um espaço bacana pra cidade, espero que todos os cidadãos usufruam bem.
Bom é ter um espaço público bem cuidado, planejado para acolher aqueles que moram e visitam a cidade. Bom é circular num lugar limpo com opções de lazer. Bom é juntar isso tudo com a arte.
Que tal mais parques espalhados por Recife? Parques com museus, galerias, teatros, brinquedos... Que tal um parque assim no Ibura ou em Nova Descoberta? Bem, pode ser diferente, por que todo lugar tem suas particularidades, né? Mas, seria bem bom. E a gente merece, né?!

Vamos vendo.

Até!

Viviane Bezerra

quinta-feira, março 24

Festival de Literatura e Mídia Digital

Divulgando o Festival de Literatura e Mídia Digital.

Com o advento das comunicações digitais (blogs,sites,e-books,prensagens de CDs) ou mesmo tecnologias que proporcionam maior acesso às publicações (as gráficas rápidas) estão se constituindo num espaço democrático de fruição literária onde os escritores,jovens ou não,conseguem publicar seus trabalhos. As poucas experiências neste sentido já realizadas proporcionaram, com o advento das novas tecnologias, maiores facilidades de produção e difusão cultural, interferindo diretamente no acesso do escritor a novos mercados e a novas ferramentas de divulgação de suas obras,via novas mídias. Embora a inclusão digital seja insuficiente, muitos jovens autores, já conseguem,através de lan houses ou internet gratuita,acesso à novas produções literárias e publicação de suas obras.
O FESTIVAL DE LITERATURA E MÍDIA DIGITAL refletirá a literatura da periferia, chamada de poesia marginal, e sua interface com a COMUNICAÇÃO VIRTUAL ou novos canais de comunicação. O objetivo é o intercâmbio entre escritores da comunidade e outros mais experientes, numa profícua troca de saberes literários.
A programação consta de mesas redondas, conferências,mostra de experiências,mostra de cinema e literatura, oficinas literárias, concurso de poesia para estudantes de escolas públicas, lançamentos de livros,recitais.
Pretende-se levar estudantes, professores, escritores e público em geral para o Centro Cultural dos Correios do Recife, mostrando a forte influência da poesia nos bairros de periferia e escolas serão convidadas a participar de todas as atividades.
Já estão confirmadas as presenças de Heloísa Buarque de Holanda, professora aposentada da UFRJ, organizadora de diversas antologias de poetas marginais e também virtuais; e Ramon Melo, poeta e professor de literatura do RJ. Haverá também a presença de escritores e críticos de literatura locais nos debates e demais atividades do festival.


PROGRAMAÇÃO PROVISÓRIA

Data: 29, 30 e 31 de março de 2011.
Local: Centro Cultural dos Correios-Recife

Curador e coordenador geral: André Cervinskis.
Produção Executiva/Administrativa: ADCE Produção Cultural.


TERÇA-FEIRA 29:

8 às 12h - Oficinas:

Poesia – Ramon Mello
Como organizar um blog literário? Helder Herik e Leonardo Branco


19 às 22h

-Mesa de abertura;
- Homenagem a LUCILA NOGUEIRA e ANGELO MONTEIRO;
- Apresentação Vozes Femininas;
-Recitais.


QUARTA-FEIRA 30

9 às 13h

Oficinas:

Poesia- Ramon Mello
Como organizar um blog literário? Helder Herik e Leonardo Branco


14 às 16h.

14h-Mesa: Literatura e inclusão digital – Cida Pedrosa e Wellington de Melo
Mediador: Leonardo Leão
16h-Mesa: Literatura e periferia – Lara e Raimundo de Moraes
Mediador: Bruno Piffardine

18 às 20h

- Apresentações artísticas, recitais e lançamentos de livros.

QUINTA-FEIRA 31:

9 às 11h
Mesa redonda: Literatura e Cinema – Fernando Monteiro e José Carlos Targino
Mediador: Michel Zaidan Filho
11 -12h: lançamentos de livros


14 às 16h:
O livro digital e os direitos autorais - Antônio Campos (IMC) e representante do Ministério da Cultura
16 às 18h:
Como organizar uma antologia virtual? Crítica e editoria literária - Heloísa Buarque de Holanda



18 às 20h:

Entrega dos premiados no CONCURSO DE POESIA VIRTUAL LUCILA NOGUEIRA PARA ESTUDANTES DE ESCOLAS PÚBLICAS

- Visitação ao ESPAÇO MIDIÁTICO (escolas)
-Cinema e Literatura-exibição de curtas (AURORA FILMES - Sandra Ribeiro);
-Lançamento de livros;
-Mostra de Experiências Literárias - bibliotecas comunitárias, instituições públicas, livrarias e editoras.

Fonte: André Cervinskis

terça-feira, março 22

Pensei em Recife.

Ontem vi uma propaganda sobre um super condomínio de luxo que estão construindo em Recife, mais um desses feitos para o pessoal que tem grana. Fiquei com a impressão que muitos parecem viver num mundo paralelo, num espaço artificial, construído "para você e sua família realizar o sonho de ser feliz". São tantos slogans para vender a "casa dos seus sonhos", que me pergunto onde perdemos a mão e o bom senso em questões como igualdade social na nossa cidade?

Você conta com 4 suítes dentro de casa, área de lazer com piscina (para adultos e crianças), salão de festa, quadra de futebol, basquete e tênis, pista de skate, 3 garagens, academia, sauna, mini supermercado e píer. Dali, você pega seu carro blindado e sai para seu restaurante predileto, deixa o carro com o manobrista (claro!), e faz sua refeição sem nenhum incomodo. Você também pode ir ao shopping e fazer compras (esqueça a C&A e a Riachuelo, por Deus!!) e depois retornar ao seu lar. Parece o Show de Truman!
Sem falar em todo o investimento na segurança do patrimônio. São câmeras e mais câmeras, cercas elétricas, seguranças armados, portaria blindada, e a polícia parece estar sempre mais a disposição para os do Maurício de Nassau e Duarte Coelho do que para o pessoal do Alto Santa Terezinha.
Me pergunto o que na verdade estamos protegendo enquanto sociedade?

Puxando bem a discussão para o Recife, fico pensando se alguns recifenses percebem a cidade. Recife do alto é uma linda cidade com seus rios e pontes, e uma música ao fundo de Lenine ou de Alceu. Aqui, de baixo, quanto emparelhamos as coisas, vemos todo o tipo de miséria pelas ruas e um povo com medo de ser violentado. Os espaços públicos estão descuidados e estão sumindo, parece que a Moura Dubeux vai comprar tudo! Um cadeirante não anda pelas calçadas de Recife. O lixo está espalhado por todo o centro da cidade. O trânsito está um inferno da zona norte a zona sul. A água do Capibaribe lembra petróleo por sua cor e consistência.

Lembrei de um filme, não é nacional mas trata muito bem destas questões de segregação social que tantos conhecemos. La Zona (Zona do Crime), é um filme mexicano que mostra um pedaço do primeiro mundo envolto por favelas. Vale a pena ver. Não há inocentes. Há riqueza e há pobreza.

Pensar e sentir Recife é refletir sobre o ter e o possuir, desde o básico até o mais incrivelmente supérfluo, e a diferença disso na construção do ser humano. É importante pessoal e senhores governantes, amparar quem precisa, quem de não ter nada precisa de verdade de tudo. E precisa com qualidade.
O carnaval passou, mas o samba não é de época, né?! Então, lembrei desse do Elton de Medeiros que diz assim:
Uns com tanto
outros tantos com algum
mas a maioria sem nenhum.

Boa sorte pra nós!

Até!

Viviane Bezerra

quinta-feira, março 17

A Bethânia, a Trupe, a poesia e o caminhão.

E o novo projeto para o blog da Trupe custa R$ 250 milhões.
Calma, calma! Se aprovado na Lei Rouanet ainda tentaremos captação através da iniciativa privada, o que, obviamente, está mais que garantida! Por que?
Bom, primeiro pelo teor do projeto:
Vamos produzir vídeos (com direção de Maria Clara Camarotti) interpretando frases de parachoque de caminhão.
"Tua inveja é minha felicidade".
"A vida só tem uma porta de entrada, mas várias de saída".
"A pior sexta-feira ainda é melhor do que a melhor segunda-feira".
"A solidão é um caminhão na contramão e se não desviar dele é uma cacetada no pára-choque do coração".


O segundo motivo para aprovação de nossos vídeos é que a Trupe tem um elenco estrelar, vai ser fácil conseguir que a comissão nacional de incentivo à cultura aprove nosso modesto projeto. Afinal, se não discriminam a Bethânia por ser famosa, porque discriminariam nós outros que somos um pouco menos conhecidos? Nós estamos aqui trabalhando, desenvolvendo ideias, divulgando produções. Temos a TV Trupe, com nosso Orlando Nascimento a frente, temos poesia também no blog, é realmente uma questão de tempo para os 250 milhões chegarem.

Mas estas aprovações milionárias de projetos de famosos não são novidades, né?
Brincadeiras a parte, a competência de uma artista como Bethânia e todos os profissionais ao seu redor não se discute, e ela como cidadã tem o direito de concorrer em qualquer Lei de Incentivo à Cultura, mas como concorrermos todos em pé de igualdade? Será que isso é possível? Será que esta Comissão de Seleção aprovaria um projeto tão caro de um artista desconhecido? O que de fato é analisado? Qual o empresário que vai escolher financiar projetos de anônimos podendo estampar sua marca ao lado da Bethânia? O incentivo a produção cultural esta na mão de quem?

Bom, sinceramente, são tantas perguntas sobre a política cultural que parece uma lista sem fim, mas também são tantas frases de parachoque de caminhão que teremos trabalho até o fim da vida! Uhú!
O mundo precisa de poesia? Sim! E precisa de igualdade, diversidade, justiça, arte, financiamento, ideologia, oposições...
Condições igualitárias para produções artísticas pode ser uma utopia, mas bem que o mundo também está precisando disso.

Para saber um pouco mais sobre o blog da Bethânia clique aqui.
E já tem gente colocando poesias na web por R$ 1,00! Clique aqui.

Evoé!

Até!

Viviane Bezerra

domingo, março 13

O carnaval o dinheiro e as patentes.

Vem pessoal, vem moçada
carnaval termina com o Galo da Madrugada!
A festa foi boa, apesar de alguns shows pífios,
dos desgastadíssimos, Quanta Ladeira (cheio de gente bonita
e música ruim),Naná e os Maracatus(os Maracatus tem uma rivalidade
tremenda, alguns detestam os outros),
e a tal de apoteose final.
Bons encontros, troças e coisa e tal.
E a eterna e provinciana comparação com a Bahia.
A Bahia tem lá sua regra e seu compasso
e nós temos a nossa linha. Será que a empetur
entende uma coisa destas?
Penso que algumas pessoas aqui em Pernambuco
só ficariam felizes se Leonardo Di Caprio
saísse no caboclinho Sete Flechas,
Hebe Camargo no Bloco da Saudade,
E que as meninas das comunidades fossem
substituidas pelas loiras sem sal e marombadas
dos BBBs e Carnavais Cariocas.
Tem alguma madrinha de bateria que more na comunidade?
É indisfarçavel a tentativa de deixar o carnaval
limpinho e vendável.
A eleição do rei Momo vai neste caminho, não se enganem.
Nada desta gente gorda, feia, banguela e remelenta,
queremos é Ana Hickman puxando um Maracatu.
O Gianecchini como rei Momo.
O carnaval movimenta muita grana
e muita gente se movimenta tb.
Tivemos a grata surpresa de saber que um empresário
pernambucano patenteou a marca
"Bonecos Gigantes de Olinda"
que coisa linda não é?
Muita gente lucra com o carnaval, hotéis, pousadas,
restaurantes, taxistas, o estado, arrecadando impostos.
Parece que quem fica com a menor parte do bolo
são exatamente as pessoas que fazem o carnaval
de pernambuco.
As troças, os blocos, os maracatus,os afoxés e por aí vai.
Claro, o que é meu é meu e o que é teu é meu também.
Chamamos isto de domínio público.
As coisas do povo sempre são de domínio público,
as minhas estão protegidas por direitos autorais,
que mesmo depois da minha morte,
vão garantir uns trocadinhos ou uma fortuna
durante setenta anos a quem quer que tenha
adquirido os direitos sobre minhas obras.
Não deveríamos refletir sobre a possibilidade
de direitos autorais difusos?
Seria uma idéia interessante... será que a Fundarpe,
Secretaria de Cultura, prefeitura tem interesse?
E os blocos, troças, caboclinhos?
Não é para pensar que diversas pessoas
ganhem dinheiro, com o trabalho dos outros?
Que a economia do estado e da cidade recebe importante
injeção de grana as custas da criação artística alheia?
É domínio público, vc pode afirmar.
Sim, como a infalibilidade papal.
Vc acredita só porque o Papa diz, né?
Que tal se criássemos um Fundo e um Selo?
O Fundo seria para apoiar os diversos grupos
que fazem o carnaval pernambucano.
O dinheiro viria de todos os hotéis, pousadas,
restaurantes, que ficam lotados por causa dos turistas
e moradores que saem para gastar, não porque querem
dormir numa cama de hotel, ou porque a comida
daquele restaurante é maravilhosa, mas sim,
em função da diversão que o carnaval proporciona.
O selo seria um reconhecimento. Coisa do tipo,
"Este hotel destina parte dos seus lucros para
o fundo de cultura... este outro apenas se aproveita
da cultura local para lucrar. Faça sua escolha".
Nós faríamos uma certificação, de resorts, budegas,
taxistas. É mais fácil do que parece,
só precisa de vontade política.
A questão dos direitos está colocada, nem fui eu
que inventei.
O direito autoral como está hj, não beneficía
as expressões artísticas populares,
aquelas geradas entre as pessoas mais pobres,
entre as comunidades que tem pouca ou nenhuma representação.
Mesmo que a discussão seja difícil,
acredito que podemos nos aproximar de um entendimento
sobre direitos autorais difusos
de modo a proteger economicamente
quem cria, recria e mantém o que atualmente
todos desfrutam, mas poucos apoiam.
E eu me diverti muito no encontro de boizinhos.

eliasmouret

sexta-feira, março 11

Ocupação do Teatro Arraial

Tão pedido e aguardado o edital de ocupação do Teatro Arraial será aberto na próxima segunda, dia 14 de março.
Os espetáculos selecionados ficarão em cartaz no segundo trimestre de 2011. Mais infos aqui.
Com o atraso de sempre a Fundarpe lança suas convocatórias. O teatro já está em funcionamento (figa!) com o espetáculo Madleia + ou - doida, com direção de Carlos Bartolomeu.
O espetáculo está em cartaz aos sábados e domingos às 19h.

Até!

Viviane Bezerra

quarta-feira, março 2

É Turismo ou Cultura?

Parece fácil de responder...
Depois de divulgações de lá, reclamações de cá, cobranças e coisa e tal,
a briga segue boa em Recife.
Ontem inclusive, parte de um prédio da Conde da Boa Vista desabou.
Sim, a cidade está um caco, literalmente caindo aos pedaços.
Não sei como é possível atrair turistas, para um lugar imundo,
sem saneamento, com calçadas completamente deterioradas,
com crianças sendo exploradas sexualmente por "turistas"
e suas redes de apoio locais, com pedintes por todos os lados,
com esta iluminação pública com cara de boate,
com uma multidão de pessoas abandonadas a própria sorte
vagando pelas ruas.
Ou seja, problemas não faltam . O governador poderia entregar
o problema do saneamento para a empetur,não acham?
Os turistas, creio eu ficariam mais felizes em andar numa cidade
que não é um esgoto a céu aberto.
Ou quem sabe se a empetur não poderia recolher o lixo
das calçadas? Acredito que os turistas também ficariam
felizes em andar em calçadas limpinhas e cheirosinhas e kabum!
Esqueci o problema dos buracos que também poderiam
ser resolvidos pela empetur. Assim os turistas
não cairiam neles e não sairiam daqui com uma péssima
impressão.
A dúvida porém, persiste. É turismo ou cultura?
Calçadas esburacadas, ruas mal iluminadas, mendicância,
exploração sexual, abandono, exploração do trabalhador
da cultura, são ativos turisticos ou apenas culturais
que temos a oferecer?
A persistência destes problemas na cidade, sua presença constante,
a indiferença quase generalizada, também são parte de nossa cultura?
É ótimo que os artistas briguem por seus direitos,
mas quais são os seus direitos mesmo?
Cachê decente e receber em dia é só o começo gente boa.
Os problemas ideologicos por trás desta decisão
entre cultura e turismo, não deve sumir de vista.
Foi muita discussão sobre política cultural,
muitas conferências (um fetiche?). Governo do estado
e prefeitura apresentam seus planos de cultura
para dez anos, cem anos, mil anos. Muito papel,
muita conversa e o inferno cheio de boas intenções.
Quem lucra com o carnaval?
Quem lucra com o carnaval?
Quem lucra com o carnaval?
Pois é, as agremiações tem direitos sobre suas obras?
Se vc se utiliza de uma manifestação popular ou outra
para encher o seu resort, sua pousada, seu hotel,
vc não deveria devolver parte dos ganhos para a
manutenção dos artistas, blocos, bandas,troças
que a rigor são o que leva os turistas para seu resort,
pousada, hotel?
Ou é só chegar, roubar as plantas medicinais dos "índios",
levar para a suiça, fazer medicamentos, ganhar rios de dinheiro
e depois cobrar dos mesmos "índios"?
O carnaval é uma manifestação do nosso povo, para o nosso povo,
onde os turistas são convidados. A empetur não deve esquecer disto.
Nós não somos micos leões dourados em exposição num zoo.
Micos leões dourados tem hífen? Deixa pra lá que não me importo
nem um poco com "acordos ortográficos".
Não tenho nada contra turistas, mas depois que se criou esta
ilusão de que o turismo é tudo e redime economicamente
todas as cidades ( uma coisa realmente folclórica),
os fazedores de dinheiro, não querem nem ouvir falar dos
problemas que acompanham o turismo.
A imensa exploração dos recursos locais, que muitas vezes
são escassos, a exploração sexual de crianças e adolescentes
uma progressiva alienação da população quanto
aos seus bens imateriais.
A adaptação farsesca destes bens para que fiquem palataveis,
politicamente corretos, limpinhos como camarote vip.
É boneco que não diz palavrão, é maracatu sem santo, sem ritmo
sem povo, sem suor.
A convivência com o outro, com o turista, com o baiano, com os gregos
não se dá a custa de adaptações feitas para agradar,
para mostrar o quanto estamos no caminho da civilização.
Ela também não rejeita o diferente, nem mesmo o opositor.
É cada um sendo o que é.
Se Pernambuco não é Bahia, se Bahia não é Rio de Janeiro,
se Rio, não é São Paulo, se Sampa não é Floripa, não vamos falsear.
A cultura é o fundamento de uma civilização, é a própria civilização.
O turismo é só negócio mesmo e quem disser outra coisa pra vc
provavelmente está mentindo.
Há maneiras e maneiras de se fazer negócio.
Há economias mais justas e outras que exploram até o osso.
Pensar direitos, dos artistas, dos pedintes, dos abandonados, do público.
Pensar custos, da criação, da divulgação, da fruição.
Pensar quem fica com o encantamento, com a fama, com o dinheiro
com a carreira política bem posicionada.
Pensar no saneamento, no rio, nos peixes, nos ribeirinhos,na natureza.
Pensar no outro sem abdicar de si mesmo.
Pensar é livre embora alguns estejam morrendo de medo.

eliasmouret

sexta-feira, fevereiro 25

Um Carnaval que vale muito (para poucos)

"Batuqueiro que baque é esse?
É o baque de nossa alteza
E não há mais que outro baque
Ó senhor, mas é só tristeza"
(Verde Mar de Navegar)

Chega de Capiba e chega de baques.
Vou me fantasiar de Eva no carnaval! E eu quero o meu Adão!

Sou Adão e você será...
Minha pequena Eva
O nosso amor na última astronave
Além do infinito eu vou voar
Sozinho com você

E o Carnaval 2011 de Pernambuco, hein?
Quem quer dançar na boquinha da garrafa? Sem a Carla não tem graça! Quem quer ver o "Cumpadi" Washington?

E a densidade do Art Popular?

Quando você me beija
Você me beija
Quando você me beija
Você me beija...

Perfeito para o clima carnavalesco. Fico "incrível"!!

A Secretaria de Turismo diz que 71% da grade do carnaval é composta por artistas pernambucanos. Pergunto: 71% da grana injetada para contratação de artistas no carnaval vai para os artistas pernambucanos?

Fico pensando sobre esta parceria entre turismo e cultura e como se dá isto em Pernambuco. Porque o nosso novo Secretário de Cultura perdeu o carnaval? A Fundarpe tem mais vida duvidosa que a Empetur? Bom, vida duvidosa combina com carnaval!!!
E que tal estreitarmos a relação entre cultura e educação, Sr. Governador?

E acho bom o Pacto pela Vida trabalhar direito porque algumas bandas gostam de dar uns "tapinhas" nas mulheres, né?
Um carnaval que vale por muitos esculachos!

Os artistas ontem se reuniram na Torre Malakoff para um protesto.
Depois os pernambucanos reclamam que nada muda, muda sim, pra pior!!
Nós fazemos o maior e o melhor carnaval baiano fora da Bahia! E nem de perto é o que a Bahia tem de melhor... E, olhe, que a Bahia tem!

Abaixo o manifesto, segunda tem mais. Vamos?


Governador do estado de Pernambuco

Nós, músicos, compositores, produtores musicais, arranjadores, produtores culturais, pesquisadores pernambucanos, representantes de entidades civis e artísticas, entidades, associações, sindicatos e coletivos com atividades voltadas para área musical, reunidos na Torre Malakoff, no dia 24 de fevereiro de 2011, das 09 às 12h.

Considerando a importância da atual historia da música pernambucana como extensão representativa da sociedade civil, organizada, para construção e implementação de políticas públicas voltadas para o segmento musical como meio de intensificar possibilidades inerentes a tais profissionais;

Considerando a necessidade de continuarmos avançando nos aspectos atinentes a toda cadeia produtiva da música, sobretudo na busca da auto-sustentabilidade da produção musical local, com atenção a seguinte síntese indicativa:

- Valorização e valoração do Profissional, apoiando suas entidades representativas e coletivos;

- Eventos democratizadores (igualdade de possibilidade de trabalho, entre todos);

- Fundamentar ações para Geração de Renda entre músicos, como meio de fomentar nova consciência artística.

Considerando os compromissos assumidos pelo Governador durante o período de campanha eleitoral, dos quais, dentre outras conquistas, temos o instrumento de Edital Público como meio de acesso à participação dos artistas nos eventos culturais promovidos pelo estado;

Solicitamos esclarecimentos sobre:

1. Descumprimento do Edital de Convocação publicado pela FUNDARPE/Secretaria de Cultura para contratação de artistas para o Carnaval/2011;

2. Como se deu a formatação da grade programação do Carnaval/2011 divulgada recentemente pela EMPETUR, cujo conteúdo encontra-se em desacordo, inclusive, com os principio norteadores da política cultural construída nos últimos anos.
Recife, 24 de fevereiro de 2011.

Paula de Renor - APACEPE

Tereza Accioly -SOFOPS (Sociedade dos Forrozeiros)

Luciano Brayner - COMISSÃO SETORIAL DA ESCUTA DA MÚSICA DE PERNAMBUCO

Gabi Apolonio - MOVIMENTO DO SAMBA DE PERNAMBUCO

Marcia Xavier - UBC (União Brasileira de Compositores)

Alex Mono - FÓRUM PERMANENTE DA MÚSICA DE PERNAMBUCO

Ivonaldo Von - Ass. Das Orquestras de Frevo do Estsado de PE (FREVO PE)

Betinho - Movimento Popular (Grupo COMPASP)


Veja a programação do Carnaval 2011 (quando colocarem no ar, né?!).

Boa sorte para nós!

Até!

Viviane Bezerra

segunda-feira, fevereiro 14

Memória Curta.

O que faremos com o pouco tempo que nos é dado?
Em uma hora, apresentamos uma peça.
Confusa para alguns, forte para outros, incisiva.
Nós podemos passar pela vida sem sonhos e ideais,
isto é mais comum do que se pensa.
Os que deixam os sonhos ausentes, não tem garantias
quanto as desilusões. Elas aparecem de todo modo.
Lembrei quando comecei a teatralizar as coisas,
num pequeno grupo do interior.
Comunistas, vagabundos, maconheiros e outros apelidos carinhosos.
Apresentávamos e chovia dentro do teatro...
Errávamos em tudo. Atores, dramaturgia, encenação,
tudo escapava pelos nossos dedos jovens e longos.
Nós sempre pensamos poder abraçar tudo.
Tudo acolher, destruir, reerguer, endireitar.
Os braços ficam curtos, ás vezes, mais que os dedos.
E os sonhos parecem ser grandes ilusões, que não perdoam
as nossas melhores intenções. Toda a nossa busca artística,
misturada com desejos de mudanças sociais,
de liberação dos sentidos, era permeada,
invadida, atacada pelo dia a dia vazio, pela desilusão,
pelo fracasso.
Como manter tudo aquilo diante da ausência de grana,
do outro, de si mesmo.
Cada um viu até onde o olho alcançava, tocou o que podia
e seguiu seu caminho. Os olhos não são iguais.
Nada é igual, tudo flutua.
Os risos não são concessões, as lágrimas não são as
únicas verdades humanas.
Se ficamos parados, outros saem e vão viver nossa vida.
Nenhuma redoma pode proteger o homem,
nenhuma couraça pode livrá-lo das feridas,
nenhum amor pode poupá-lo do sofrimento
e da perda.
Que o desespero não nos tome e a covardia não nos guie.
Esconder-se não traz nenhuma garantia,
mas é uma passagem certa para a vida medíocre.
Esta ainda assim, não te protegerá de nada.
Amamos então tudo o que passa, todos os sonhos,
todos os desejos e a luta.
Nossa couraça é quase sólida, por entre suas frestas
brilham nossos espíritos e anseios,
nossas lágrimas e sorrisos se misturam,
adornam e incensam a prece dos dias.
Bendito seja o sonhador, o que erra, o que ousa.
Grandes são suas desilusões,
maior é ele mesmo.

Quase Sólidos apresentou-se no
Janeiro de Grandes Espetáculos.
A Trupe agradece o convite.

eliasmouret

sexta-feira, fevereiro 4

Enquanto isto, na sala da justiça...

"O homem, na noite,
acende a si mesmo uma luz,
quando a lua dos seus olhos se apaga.
Vivo, toca na morte, quando adormecido.
Acordado, toca os que dormem". Heráclito de Éfeso.


Muitos são os mitos que construímos durante a vida.
Alguns não passam de miragens, ilusões dos sentidos, opiniões.
Outros, porém, partem da sua forma de gente,
igual a nossa, para ocupar um lugar superior.
É possível que durante a vida e em uma carreira qualquer,
algumas pessoas tenham alcançado uma estatura
real ou imaginaria que faz com que sejam assim tratadas.
Recife é uma cidade fértil em mitologias inúteis.
Aqui, o passado não encontra repouso,
as pessoas, os governantes, não deixam
o pobre Mauricio de Nassau morrer em paz.
A construção de figuras heróicas, importantes,
destacadas, sempre serviu ao poder.
Não que algumas figuras não tenham destaque,
mas o uso incessante de suas presenças
revela um pouco do tipo de civilização que queremos.
Há um caminho que vai pelo
reconhecimento da igualdade de todos
e também do mérito de cada um,
e que necessariamente comporta duas palavras
que ajudam a definir as relações em sociedade.
Isonomia é uma delas.
Aqui todos são iguais, tem o mesmo tratamento e não há privilégios.
Isegoria e outra... Onde todos podem falar,
tem direito a voz e a explanar seus desejos, sonhos, conceitos.
Para construir uma sociedade assim,
é preciso que cada um assuma uma luta incessante
para ser tratado com igualdade, respeito, voz e vez.
Sem paixão, nada se constrói.
O outro caminho é o dos privilégios.
Este, é fartamente conhecido dos brasileiros, onde
“todos são iguais, porém , alguns são mais iguais que os outros”.
É neste caminho, que patrão trata funcionário como escravo,
que os assédios morais e sexuais acontecem
e que os boçais de plantão, os bajuladores,
tratam as pessoas mais simples pela nossa conhecida frase...`
”Vc sabe com quem esta falando?
Aqui nos cabe fazer escolhas.
Pensei nestas coisas estes dias
e considerei um caso interessante na nossa cidade.
O governo estadual deveria funcionar como produtor cultural
ou apenas como fomentador da cultura?
Qual a razão para que o Mitológico Ariano Suassuna
tenha uma secretaria para as suas aulas espetáculos?
Este privilégio será estendido a todos os artistas?
O projeto cultural de Ariano não deveria ser submetido ao Funcultura
como todos os outros? Os artistas de Recife, não reclamam,
pois tem medo de perder alguma coisa
(pautas nos teatros, projetos recusados, empregos)?
Ou porque no fundo desejam ser tratados também de forma privilegiada?
Sim, eu sei reconhecer os méritos de Ariano Suassuna
e de outros artistas.
Numa sociedade democrática, estas pessoas são tratadas com respeito,
com dignidade, com honradez,
mas numa sociedade democrática,
este tipo de tratamento deve se estender a todos.
E todos têm o direito de participar igualmente
dos benefícios que o estado pode gerar...
Participar igualmente, quero reforçar.
Minha angustia aumenta a cada dia ao viver aqui,
eu que sou um “estrangeiro”.
Parece-me que tão acostumados à escravidão,
a sinhazinhas e sinhozinhos,
a privilégios de toda sorte,
a tratar a todos os aparentemente superiores por “senhor” e “senhora”
e aos mais simples com desprezo e repugnância,
nós os artistas deixamos completamente de lado
nossa capacidade de vanguarda, de rompimento,
de transformação, de tocar o sublime, de transfigurar.
Perdemos a paixão e o fôlego, não corremos riscos.
Queremos apenas privilégios também.
Talvez as pessoas não reclamem mais,
porque no fundo elas também querem uma assessoria especial.

Eu vejo vcs por ai, nos bares da cidade,
nos teatros, aqui neste blog. Um abraço.

eliasmouret

quinta-feira, janeiro 27

Sobre Quase Sólidos!


É possível que não encontremos todas as respostas
e que duvidar um pouco mais seja nosso caminho.
O caminho largo e aberto é tb uma maneira,
um modo de viver, um convite.
Há uma pressa grande em definir o nosso tempo.
Modernidade, contemporaneidade, pós-modernidade
hiper-modernidade, modernidade líquida.
Os academicos adoram terminologias...
não podem viver sem elas.
A rosa, se tivesse um outro nome perderia seu perfume?*
Quase Sólidos, está interessado nos aromas,
nos odores agradaveis ou fétidos.
Tudo bem, escolha a sua terminologia e viva.
Compromissos duradouros, podem ser postos de lado
a qualquer instante.
Nós passeamos pelas ruas e assistimos
a queda do modelo clássico do absolutismo europeu.
Famintos comemos com os olhos, os ouvidos,
os sentidos todos. A boca é insuficiente.
Quase Sólidos é uma oração de excomungados.
Santa Criança da cabeceira da ponte,
o senhor é contigo.
É com as massas árabes revoltadas.
Nada na peça me pertence, pois tudo é meu,
meu desejo e abandono.
Ontem descobri que quase tudo é mentira,
não era verdade, o que vc disse,
não era verdade o nosso acordo.
Sim, nossos acordos são quebrados a todo instante,
ou não entendemos muito bem sobre o que
estamos de acordo.
É possível que olhando para a mesma coisa
estejamos vendo coisas diferentes.
Provavelmente a nós mesmos.
Quase Sólidos é um chamado para olhar para si.
Descobrir um pouco do mundo, retomá-lo,
arriscar, abismar.
Correr riscos pode ser um bom sentido para a vida.
Não acha?
Por favor, não fale em arriscar com segurança, que isto
não existe.
O que precisamos é de prática em se esborrachar...
amar um cachorro, um ideal, uma pessoa, várias pessoas.
Ontem, depois do ensaio, atravessando a ponte,
vi uma mulher e uma criança e outra mulher e outra criança
num infinito cujo sentido me escapa
e não senti nenhum pavor.
Acho até que encontrei uma certa beleza em não saber.
Ou saber de outras formas.
Não se preocupe se vc não compreender tudo
em Quase Sólidos ou na vida, tenho impressão
que diretor, atores, sonoplasta, compartilham
por vezes, da mesma sensação.
Um novo começo para cada nova madrugada.
As viagens são os viajantes. O quase é nada...

* Romeu inicia a peça apaixonado por Rosaline.

eliasmouret

Quase Sólidos no Janeiro de Grandes Espetáculos
Domingo 30 de janeiro 21h.
Teatro Barreto Junior - Pina

quinta-feira, janeiro 6

Email aberto ao novo Secretario de Cultura de Pernambuco

Prezado Secretario Fernando Duarte,



Acredito que as pessoas que trabalham com a cultura no estado de Pernambuco, técnicos, artistas e fornecedores diversos, desejam que seja frutífera a sua passagem pela nova secretaria e que de preferência a secretaria não seja passageira ou lotação para inúmeros cargos.

Não o conheço pessoalmente, mas algumas pessoas que o conhecem informaram-me que o novo secretario é uma pessoa preparada para a função e pronta para ouvir a sociedade. Quanto ao preparo, só o tempo dirá. Considerando então a suposta abertura para o diálogo com a sociedade ( coisa que ademais todas as autoridades públicas deveriam ter, pois prestam um serviço a coletividade, embora algumas esqueçam disto rapidamente), tomei a liberdade de escrever este `email aberto', para desejar-lhe boas vindas e abordar alguns temas referentes a cultura que julgo importantes para a nossa reflexão.

Não pretendo aqui fazer um apanhado das coisas que aconteceram na antiga gestão da Fundarpe, pois penso que o Senhor é bem ciente delas, penso que algumas foram acertadas e outras não e espero que aquelas acertadas permaneçam e as demais, sejam corrigidas. O meu desejo é tocar nestas outras.

Então vamos lá:

O Estado tornou-se um agente importantíssimo de fomento a cultura em Pernambuco e a Fundarpe o órgão principal de gerenciamento desta política. Muitos eventos foram realizados e um processo benéfico de descentralização foi iniciado levando recursos públicos para o interior também. Embora eu particularmente discorde de algumas formas ( a participação ativa demais de prefeituras que sequer tem um órgão responsável pela cultura em suas cidades), concordo com o processo maior de permitir o acesso cultural a grande número de pessoas. Até aí tudo quase bom, então chega a hora dos pagamentos…

Aqui em Pernambuco virou a hora do pesadelo. Artistas técnicos, fornecedores e de forma geral qualquer um que trabalhe com a Fundarpe tem sempre uma reclamação quanto ao atraso muito grande nos pagamentos dos serviços prestados. O atraso é uma conversa recorrente nos bares da vida e nas noites recifenses. Não é preciso ser um gênio para entender que temos um grande problema nesta área e que sendo estes eventos quase sempre os mesmos todos os anos, um planejamento melhor poderia resolver a situação, ou então a instituição realizar apenas aquilo que pode. Este problema dos pagamentos não é uma questão só dos artistas, dentro da própria instituição muitas pessoas também não recebem em dia e é questionável se todo este atraso não viola seus direitos trabalhistas. Ha bolsistas, contratados, comissionados e todos eles precisam de um pouco de atenção. Não é possível manter e/ou desenvolver uma cadeia produtiva da cultura pagando sempre com atraso, tanto para quem presta o serviço, como para quem é responsável por gerenciar o mesmo.

Aproveito esta deixa de funcionários diversos para perguntar... Quando teremos concurso publico para a Fundarpe e plano de cargos e salários para seus funcionários, valorizando-os? Sim, sei que alguns cargos continuarão sendo de confiança e não tenho problemas com isto, desde que não sejam 10 mil e as pessoas estejam ali por competência e não por pertencerem a este ou aquele partido. O Estado, quero recordar, nos pertence, a nós cidadãos, não aos partidos, mas infelizmente assistimos dia e noite no Brasil um loteamento de cargos que muitas vezes nada tem com mérito.

Mérito secretario, também deveria ser o único critério para se eliminar ou aprovar um projeto artístico no Funcultura, não concorda? Não há razão para a manutenção deste modelo que elimina projetos por que falta uma carta de anuência, uma conta de luz ou algo do gênero. O único ‘envelope’ que deveria ser aberto deveria ser o do projeto artístico. Aprovou, tem-se um período para apresentar os documentos e assim firmar o contrato. Todas estas cartas de anuência, croquis, desenhos de luz, plantas baixas são obra de ficção, nos sabemos disto. Este amor casto pela burocracia também pode ser questionado. Há formas de se enviar estes projetos sem usar um só papel, o que além de diminuir a burocracia, ajuda a natureza. Grandes empresas que patrocinam a cultura tem adotado modelos totalmente informatizados onde os projetos são enviados on-line. É tão difícil fazer isto aqui?. Então quando falo no ‘envelope’ único, com o projeto artístico, me refiro a este sistema informatizado. Depois nós podemos mandar os documentos também digitais é claro. Não falta tecnologia no mundo de hoje para fazer tal coisa.

Fazer coisas secretario, depende de muitos braços e algumas são mais fáceis que outras. Nós artistas podemos criar nossas obras,mas é bem complicado construir um teatro ou uma galeria um museu e etc. Aqui tratamos também da infraestrutura para a ampliação da nossa economia. Pernambuco assiste a uma significativa expansão da economia do estado, com investimentos em portos, rodovias, ferrovia, que atraem outros investimentos e alavancam a produção, melhorando a logística e etc . Embora não seja eu, um economista, posso garantir que sem investimento na infra estrutura cultural a produção cedo ou tarde vai minguar. Um economista que estiver aí a seu lado poderá facilmente explicar a razão. Sim, é mais fácil fazer uma peça teatral que construir um teatro. E não seria disto que estamos precisando? Temos um teatro de boa qualidade um cinema elogiado, um a literatura das melhores, artes plásticas e fotografia tb. E espaços culturais pra apresentar toda esta produção? Nossos teatros, por exemplo, passam a maior parte do tempo fechados e se concentram todos no centro da cidade. Por que não uma rede de espaços culturais permanentes nos bairros e nas cidades do interior, com sala de espetáculos, cinema, bibliotecas, galeria e espaços para ensaios. Uma rede assim facilitará a circulação do produto. Há modelos diversos para construção desta rede, alguns equipamentos permanentes, outros de estrutura modular semi-permanente e semelhantes a lonas circenses. Terei prazer em conversar sobre isto se desejar.

Claro, que todas estas coisas precisam de recursos e de um comprometimento da nossa sociedade com a cultura. Penso que embora seja importante a participação do Estado na manutenção da cultura, chegou a hora destes empresários bronzeados mostrarem seu valor. Quantas salas de cinema a Fiat vai construir em Pernambuco? E o estaleiro atlântico sul, quantas bibliotecas? Quando ficarão prontos os teatros do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Jaboatão, estas cidades que não param de receber empresas. A grana investida no porto não é de todos? Queremos um comprometimento maior do empresariado pernambucano (sempre ausente) com a cultura e não estou falando em chás e colunas sociais. Penso que a secretaria pode fazer um chamamento da classe empresarial para uma maior participação financeira nos investimentos culturais. Não basta ficar usando imagens de caboclo de lança e passistas de frevo para divulgar suas marcas, não basta ser pai é preciso participar. Eu quero um pedaço de Suape para a cultura, eu quero um pedaço do pré-sal para a cultura e se nós encontrarmos ou desenvolvermos qualquer outra riqueza vou querer também. O desenvolvimento econômico do Estado não pode ficar na mão de meia dúzia. Um lugar que não aprecia e valoriza sua cultura e os agentes culturais é um ajuntamento e não uma civilização. Sei que isto não é algo diretamente ligado a secretaria de cultura, mas é política e podemos aproveitar o boom econômico também na estruturação das nossas cadeias produtivas.

Pense com carinho e deus nos livre de artistas ingênuos.



Este email como escrito acima é aberto e estou publicando o mesmo no blog da Trupe. Espero ter iniciado uma conversa boa e desejo continuá-la, quem desejar participe também.

Sinceramente desejo-lhe sucesso. Os contatos seguem abaixo.

Elias Mouret.

trupedecopas.blogspot.com

eliasmouret@yahoo.com.br

segunda-feira, dezembro 20

Moendo a arte

O fim de 2010 se aproxima e começam aquelas reflexões sobre o ano vivido. Comecei a pensar quais as obras artísticas que mais me tocaram neste ano, escolhi duas:

Blue Remix - uma performance do artista Yann Marussich
A obra veio a Recife em outubro compondo a programação do Festival Internacional de Dança. Até hoje não sei falar ou escrever sobre o que senti. Posso descrever como fiquei, mas não é o mais essencial, não é o mais importante numa troca com um trabalho artístico. Aquele homem mexeu com as minhas profundezas, despertou frio e calor, me espelhou... Difícil tentar pensar sobre algo que é pura emoção desperta em um canto misterioso de mim. Coloco abaixo um vídeo sobre o trabalho.




O nome do segundo trabalho que me foi precioso é Simplesmente eu, Clarice Lispector. Pensei logo de cara que não é nada simples ser você mesmo.
Uma obra belíssima de Beth Goulart e Clarice Lispector. Juntas cantaram, choraram, rezaram, sorriram e eu me deixei ir em todos os momentos. O texto é lindo, a atriz é linda e ganhei tanto quando as duas me disseram:
"Liberdade para mim é pouco, o que quero não tem nome".


E para você, qual obra artística mais te embalou, te deu, te tomou, te destruiu, te amparou, te rasgou, te infernizou, te fez ir além?
2010 nos trouxe tanto e levou um monte embora também, não é assim a cada final de ciclo?
O que você tem a compartilhar sobre a arte em você ou de ser você? Comenta conosco.
Pode ser uma música, uma fotografia, um vídeo, um quadro, um poema, poder ser em barro, aço, florido, compacto. Seja como e o que for, compartilhe.

Paz no fim de 2010!

Até!

Vivi Bezerra

quarta-feira, dezembro 15

Ophélia (parte II)

Também quero escrever umas palavrinhas sobre Ophélia, este singelo espetáculo do DIG, d'Improvizzo Gang. Ophélia me fez lembrar as brincadeiras de infância onde tudo virava qualquer coisa e os adultos eram outros personagens: minha mãe - espiã inimiga infiltrada, meu pai - um agente secreto infiltrado, minha irmã - uma bruxa espiã secreta infiltrada...
Enfim, transcendendo as questões edipianas, tudo e todos eram transformados, remodelados, reformados, desconstruídos e construídos. No teatro é sempre assim e em Ophélia, nós somos platéia, reis, rainhas, príncipes, plebe.
Polly e Mickey e Shakespeare acertam no simples com muito carisma. Acertam no sofisticado com toda a sutileza de quem tem olhos de ver o sutil. Um texto lindo, com músicas (e que letras!), com humor, com dúvidas, com inocência e desvelação.
Num momento Ophélia avisa a uma querida amiga: "Julieta isto vai dar em MERDA!"
No momento seguinte diz: "Morte é silêncio".
E para mim, vida é ancestralidade no aqui e agora: é um vestido de casamento que vira figurino, uma caveirinha com os dentes da atriz, o ar-condicionado fantasma barulhento, a energia do teatro, a memória de Shakespeare e das atrizes-Ophélias, o balé sobre o "lago", os vagalumes que deixam caixas, a materialização do tempo que passa, as interjeições na boca da corte, a plebe com seu dia de vingança ou justiça, a podridão ali ao nosso lado, conosco. Tudo isso é também o espetáculo.
Como escreveu Elias no post abaixo, no fim acredito que não esclareci (e que bom!).

Quem não assistiu tem uma chance na próxima sexta (17/12), no Teatro Joaquim Cardozo. É um espetáculo que vale muito.

Evoé!
Até!


Vivi Bezerra

terça-feira, dezembro 14

Ophélia || d'Improvizzo Gang

Ophélia é Polly, é Paulo, é Shakespeare...
É a corda, acorda, adormece na luz.
São os alunos de cênicas da UFPE,
é a pracinha da Várzea, são as rodas d'Improvizzo.
Provavelmente quem não viu e não conhece
não está entendendo nada do que escrevi até aqui.
Vou tentar esclarecer agora, senão, depois.
Quem não conhece Hamlet? Pois é, ele quase não aparece...
A peça está em cartaz no teatro Joaquim Cardoso.
Sim, é uma peça.
Tempo vai tempo vem e Ophelia surge em algum lugar,
com sua loucura apaixonada, irônica e suave.
Com sua agudeza de punhal e veneno.
Arrasando no violão com uma balada triste
do reino da Dinamarca, vai construindo sua própria corte.
Nós, somos convidados a fazer parte tb
e eu, ai de mim, fiquei como plebe mesmo.
Ophélia é um estado de ligeirezas e pausas
e um convite a catarse de bolinhas de papel
contra os mandatários.
Ás vezes nos apaixonamos na primeira olhada,outras
precisamos ir construindo pouco a pouco (tem hífen aqui?).
Quando será que a pobre filha de Polônio,
apaixonou-se pelo príncipe da Dinamarca?
E ele, só pensando na mãe e no tio.
O coveiro, este sim sabe das coisas,
só não sabe mais que o verme, que por sinal
é um túmulo.
Todo mundo precisa de um coveiro para um conchavo,
uma espécie de conivência e acordo.
Acordo muito necessário para o teatro.
Foi Hamlet que morreu por causa de seu pai,
mas é Ophèlia que usa o vestido de casamento de sua mãe.
As melhores jóias da Dinamarca, à luz mais certeira,
de Cleison, emoldurando as flores na janela.
Ophélia é Polly, que vai traçando um enredo
de contas e contos e nos envolvendo numa trama suicida,
que acontece diante de nós e não percebemos.
Ophélia é Michelloto e suas palavras de moicano,
sua corda estendida, despretensiosa e má intencionada,
um laço, um nó, uma forca fazendo carinho no pescoço.
Ophélia é Shakespeare, para quem entende do mesmo.
Não para quem tem devoção por Bárbara Heliodora,
mas nunca leu uma peça (coisa comum em Recife)
e no máximo já ouviu falar de Romeu e Julieta.
É possível que aproximando-me do final,
não tenha esclarecido quase nada.
Então vá ver a peça, que faz sua última apresentação
próxima sexta-feira e faça seu comentário.
Se não for agora será depois e no fim,
estar pronto, é tudo!

eliasmouret

quarta-feira, dezembro 8

Twelfth Night - Shakespeare

A Trupe de Copas, apresentou meses atrás, leitura dramatizada
de uma das mais belas peças de
William Shakespeare.
"Twelfth Night", em português, "Noite de Reis".
A apresentação aconteceu dentro do projeto
Leia-se Terça, no espaço Muda.
Shakespeare, sempre foi um dos meus dramaturgos
favoritos e junto com os companheiros da Trupe
resolvemos desenvolver um projeto de leituras
das peças do mesmo. É verdade que o autor
é muito conhecido, mas este conhecimento, muitas vezes
é apenas superficial e a maioria das pessoas,
nunca leram suas obras ou viram encenações das mesmas.
O cinema tem nos dado filmes muito bons sobre
algumas destas obras. Este que vai abaixo é um deles.
O filme tem direção de Trevor Nunn e um elenco que é uma beleza.
Como é coisa boa, pra variar não chegou ainda ao Brasil.
Só importantando ou vendo pelo youtube.
Aqui temos a segunda cena do primeiro ato ( com adaptações).
Infelizmente não temos legendas.
Ah, continuaremos com o projeto sobre Shakespeare...
aguardem "A Comédia dos Erros".
Os clássicos continuam fundamentais!

eliasmouret

domingo, dezembro 5

Poesia Completa - Volume 1 - Parte 4

"Tudo é sertão
tudo é sertão nos sentimentos.
Os encontros trazem sempre
uma semente de despedida, de saudades.
Todo entrelaçar de dedos,
de pernas de trilhas,
é um prenúncio de afastamento.
Há distâncias breves
outras infinitas.
Que nos seja piedosa a vida.
Rebrilhem no céu as estrelas
e a lua de fases
não nos deixe sempre minguar.
Nossos corações se tocam.
Tudo é paixão, aromas, sabores
lençóis e cama.
Os olhos se iluminam
ou são iluminados.
Os infinitos de cada um
comungam e são felizes.
Uma felicidade de fado e tempo".

"Ventos que me levem
que me levem para longe dos meus sentimentos.
Há fogueiras no meu coração
e brasas e faíscas e dor.
Ventos, atacai as rochas,
mudai os caminhos, as estradas, os sentidos.
O quanto me dói ser como sou
apaixonado.
Queria eu, ser como uma pedra
ser igual aos outros.
Viver plantado no mesmo lugar,
nas mesmas crenças, palavras, amores.
Eu finjo ser um demônio melhor...
e silencío e tramo e amo".

"Só as cigarras cantam até morrer.
Meu amor fugiu pelos caminhos...
eu deixei, deixei ir,
mas não de amar.
Eu penso.
Recordações invadem minha mente...
misturo-as com a imaginação.
Finjo que ela
não olhava através de mim
como quem olha
através da vitrine e deseja.
Um manequim
ela era, tão linda e fria e frágil.
E as andorinhas?
A beleza secou como as cigarras.
Ela fugiu pela terra
eu pelo mar.
E o que farei com as andorinhas
em meu coração?"

"Em torno de uma certa passagem
encontrada num romance
segue errante
entre àfricas itinerantes
contínua ficção de vida
história de arte futurista
em cenas de um cotidiano desacompanhado
como um Judas Macabeu
contra o diabo".

"Mensagem subterrânea
lembrança desesquecida
chegaste de madrugada
num clarão de hora perdida.
Boneca de porcelana
brinquedo de 'cademia'
chegaste pela manhã
em hora já esquecida.
Nada houve realmente
nesta jornada febril
e fugiste pela noite
deslizando pelo rio
num barquinho de papel".

"Vento, véu, ventre
vida, vela, veneno
volta, vão, verde,
vazio, velocino
vácuo e vai-e-vem
pirilampo, verão
viagem, viramundo
verbo, valsa
vermelho, vanádio
vapor, vitória, verdade
virgem, várzea
vastidão, vinho, varanda
verdugo, Vedas
veias, velhice, viúvas
violeta, vagina
voz, violência
vulto, vunerável".

eliasmouret

quinta-feira, dezembro 2

WIKILEAKS - FICA A DICA - TOP SECRET

SECRETO HALUQUISTÃO DO LESTE 007

CSI- MIAMI

i.a.o.k.l 12345: DECL: 34/08/2135
TAGS: RIO CALIENTE, HESBOLLÁ,FICA A DICA,TORA BORA, Relações bilaterais com xxxx
TEMA: FICA A DICA,IDENTIDADE DO FUGITIVO,VUVUZELA,CONTRATERRORISMO: Almoço do embaixador com o general.Ministro da Segurança Interplanetária
Classificado pelo embaixador Charlie Brown - TOP SECRET

1.(S) Embaixador recebeu o general, ministro da Segurança Interplanetária, em um almoço no motel Rio Caliente. Embora o general tenha gostado muito do almoço reclamou que a sobremesa foi melhor da vez anterior, o que demonstrava o grande apreço pelo seu alto escalão. O general comanda entre outras coisas a pesquisa de teletransporte nos orelhões da TELEMAR e as câmeras de vigilância da rua da Aurora, Além de sua equipe própria no Ministério de Segurança Interplanetária.(MSI), que conta com representantes das diversas agências de segurança e de relações exteriores do governo democrático do HALUQUISTÃO DO LESTE, o general também é responsável por comandar a Agência de Tranferência e Realocação de Pensamentos Estratégicos Nacionais (ATRPEN).

2. (S) A região do Triângulo das Bermudas: O embaixador pediu ao general uma avaliação da situação quanto as pistas do acima citado FICA A DICA e suas relação transnacional na região do Triangulo das Bermudas, Atlantida e Olimpo. O general admitiu que há problemas sérios na região e que a movimentação do indivíduo não pode ser facilmente rastreada o que causa grave preocupação no HALUQUISTÃO DO LESTE. Admitiu entretanto o general que tanto a ATRPEN quanto as diversas forças especiais estão no encalço do acima citado e que agradece a contribuição oferecida pelo CSI - MIAMI embora ele tenha preferência pessoal pelo CSI - NY ou BONES e que espera logo por as mãos no indivíduo para começar o MMA.

3. (S) Contraterrorismo: Quanto a este tema o general não deixpou claro se gostaria de ver FICA A DICA estigmatizado como pertencente ao Hezbollá,a um grupo mujahedim que resiste nas cavernas de TORA BORA, como padre pedófilo no Vaticano ou traficante no Complexo do Alemão.Isso levou a uma discussão das questões/operações de como desacreditar o indivíduo junto a mídia interplanetária e no Triangulo das Bermudas. O general disse que a CIA cooperou estreitamente com ATRPEN para fazer a investigação conjunta de indivíduos que despertam o interesse, e o embaixador expressou sua apreciação por essa assistência. O general disse que, além das operações conjuntas nas quais estamos trabalhando o governo do HALUQUISTÃO DO LESTE pretende fazer um apelo para que BENTO XVI condene o ENEM (Exercito Nacional de Elementos Místicos)braço armado do movimento e possível apoiador do indivíduo. O general também expressou o seu desejo de que trabalhassemos junto aos conselho dos anciãos para que condenassem qualquer postura de apoio ou acolhimento de pensamentos não regulamentados e de interesse extra-territorial.O general concluiu esta parte acrescentando que as medidas de contraterrorismo ficam prejudicadas por não se saber a identidade secreta do CORINGA, digo de FICA A DICA, embora as recentes investigações quanto a isto indiquem diversas possibilidade, como JOÃO DO MORRO,
CAPITÃO NASCIMENTO, SNOOP,e ele mesmo.

4. (S) Vuvuzela: Após a discussão sobre CT [contraterrorismo], o embaixador levantou a questão da Vuvuzela e seu presidente, Victor Hugo, e observou que Os Miseráveis estão atrapalhando os esforços do HALUQUISTÃO DO LESTE para exercer um papel de liderança política e econômica no Triangulo das Bermudas. O general demonstrou certa irritação quanto a Victor Hugo e admitiu com uma franqueza incomum que prefere Émile Zolá embora não conheça nenhum dos dois pessoalmente. Ainda assim o general acredita que deve incentivar a dissidência. O general observou que, quer sejamos pró ou anti-Hugo, este já se tornou uma parte integral da realidade Vuvuzeliana e do Triangulo das Bermudas.

5. (S) Comentário da Embaixada: O general é um indivíduo que controla seus pensamentos com lexotan e não parece gostar de brincadeiras com assunto tão sério. Demonstrou grande vontade de ver esta questão solucionada o quanto antes e se comprometeu em empregar todos os seus esforços para que assim seja (AMÉM- intervenção de BENTO XVI)Ele não quis revelar suas pretensões políticas futuras, garantindo total lealdade ao atual líder do HALUQUISTÃO.Penso que não foi totalmente sensato quanto a avaliação que faz da Vuvuzela e demonstrou também limitado conhecimento sobre entropia e teoria do caos. Entretanto suas ações tem colaborado para melhorar a percepção sobre a nossa presença no Triangulo das Bermudas, sua presença contínua na ATRPEN pode ser vista como positiva para os interesses dos EUA. BROWN 1098 - 3765=876UUU

No forno 2!

Ainda hj no blog da Trupe:

Será que o Wikileaks vai revelar quem é "Fica a Dica"?

O que pensa o embaixador americano sobre isto?

Qual a posição do Irã?

Bento XVI fará uma declaração?

terça-feira, novembro 30

Teatro! (parte II)

É mesmo uma experiência ir ao teatro. Mas, o quanto nos disponibilizamos as emoções? Quanto nos permitimos correr perigos, andar numa corda bamba, desestabilizar nossa pseudo vida "estruturada"? Assistimos aos espetáculos com olhos de ver o quê? Bons atores, boa música e uma luz surpreendente? Olhos de quem quer comer a obra, a vida, regurgitar? Olhos de calar por não ter palavras que verdadeiramente expressem? Olhos de gritar mil vezes para se fazer ouvir ou simplesmente desabafar?
Qual o nosso papel de espectador? Papel de arroz, digestivo, macio, que desmancha fácil? Papel de embrulhar prego, pesado, doído, endurecido?
Vi o espetáculo Comunicação a uma academia, saí do teatro pensando: "Puxa, somos mesmos uns fudidos...", mas voltando para casa vi uma lua imensa no céu, que lua linda! E de novo a consciência do dual...

Torço pelo teatro, por nós artistas, por nossos gestores.
Tenho fé no trabalho artístico e na nossa percepção.
Anseio por mais união entre todos nós artistas, pelo nosso crescimento.
Mais uma vez valeu!
Até!

Vivi Bezerra

Para ler um pouco sobre os espetáculos apresentados no 13º FRTN clique aqui.