segunda-feira, fevereiro 14

Memória Curta.

O que faremos com o pouco tempo que nos é dado?
Em uma hora, apresentamos uma peça.
Confusa para alguns, forte para outros, incisiva.
Nós podemos passar pela vida sem sonhos e ideais,
isto é mais comum do que se pensa.
Os que deixam os sonhos ausentes, não tem garantias
quanto as desilusões. Elas aparecem de todo modo.
Lembrei quando comecei a teatralizar as coisas,
num pequeno grupo do interior.
Comunistas, vagabundos, maconheiros e outros apelidos carinhosos.
Apresentávamos e chovia dentro do teatro...
Errávamos em tudo. Atores, dramaturgia, encenação,
tudo escapava pelos nossos dedos jovens e longos.
Nós sempre pensamos poder abraçar tudo.
Tudo acolher, destruir, reerguer, endireitar.
Os braços ficam curtos, ás vezes, mais que os dedos.
E os sonhos parecem ser grandes ilusões, que não perdoam
as nossas melhores intenções. Toda a nossa busca artística,
misturada com desejos de mudanças sociais,
de liberação dos sentidos, era permeada,
invadida, atacada pelo dia a dia vazio, pela desilusão,
pelo fracasso.
Como manter tudo aquilo diante da ausência de grana,
do outro, de si mesmo.
Cada um viu até onde o olho alcançava, tocou o que podia
e seguiu seu caminho. Os olhos não são iguais.
Nada é igual, tudo flutua.
Os risos não são concessões, as lágrimas não são as
únicas verdades humanas.
Se ficamos parados, outros saem e vão viver nossa vida.
Nenhuma redoma pode proteger o homem,
nenhuma couraça pode livrá-lo das feridas,
nenhum amor pode poupá-lo do sofrimento
e da perda.
Que o desespero não nos tome e a covardia não nos guie.
Esconder-se não traz nenhuma garantia,
mas é uma passagem certa para a vida medíocre.
Esta ainda assim, não te protegerá de nada.
Amamos então tudo o que passa, todos os sonhos,
todos os desejos e a luta.
Nossa couraça é quase sólida, por entre suas frestas
brilham nossos espíritos e anseios,
nossas lágrimas e sorrisos se misturam,
adornam e incensam a prece dos dias.
Bendito seja o sonhador, o que erra, o que ousa.
Grandes são suas desilusões,
maior é ele mesmo.

Quase Sólidos apresentou-se no
Janeiro de Grandes Espetáculos.
A Trupe agradece o convite.

eliasmouret

Um comentário:

Vivi disse...

"Bendito seja o sonhador, o que erra, o que ousa".
Não é nada fácil.