quarta-feira, dezembro 15

Ophélia (parte II)

Também quero escrever umas palavrinhas sobre Ophélia, este singelo espetáculo do DIG, d'Improvizzo Gang. Ophélia me fez lembrar as brincadeiras de infância onde tudo virava qualquer coisa e os adultos eram outros personagens: minha mãe - espiã inimiga infiltrada, meu pai - um agente secreto infiltrado, minha irmã - uma bruxa espiã secreta infiltrada...
Enfim, transcendendo as questões edipianas, tudo e todos eram transformados, remodelados, reformados, desconstruídos e construídos. No teatro é sempre assim e em Ophélia, nós somos platéia, reis, rainhas, príncipes, plebe.
Polly e Mickey e Shakespeare acertam no simples com muito carisma. Acertam no sofisticado com toda a sutileza de quem tem olhos de ver o sutil. Um texto lindo, com músicas (e que letras!), com humor, com dúvidas, com inocência e desvelação.
Num momento Ophélia avisa a uma querida amiga: "Julieta isto vai dar em MERDA!"
No momento seguinte diz: "Morte é silêncio".
E para mim, vida é ancestralidade no aqui e agora: é um vestido de casamento que vira figurino, uma caveirinha com os dentes da atriz, o ar-condicionado fantasma barulhento, a energia do teatro, a memória de Shakespeare e das atrizes-Ophélias, o balé sobre o "lago", os vagalumes que deixam caixas, a materialização do tempo que passa, as interjeições na boca da corte, a plebe com seu dia de vingança ou justiça, a podridão ali ao nosso lado, conosco. Tudo isso é também o espetáculo.
Como escreveu Elias no post abaixo, no fim acredito que não esclareci (e que bom!).

Quem não assistiu tem uma chance na próxima sexta (17/12), no Teatro Joaquim Cardozo. É um espetáculo que vale muito.

Evoé!
Até!


Vivi Bezerra

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