terça-feira, dezembro 14

Ophélia || d'Improvizzo Gang

Ophélia é Polly, é Paulo, é Shakespeare...
É a corda, acorda, adormece na luz.
São os alunos de cênicas da UFPE,
é a pracinha da Várzea, são as rodas d'Improvizzo.
Provavelmente quem não viu e não conhece
não está entendendo nada do que escrevi até aqui.
Vou tentar esclarecer agora, senão, depois.
Quem não conhece Hamlet? Pois é, ele quase não aparece...
A peça está em cartaz no teatro Joaquim Cardoso.
Sim, é uma peça.
Tempo vai tempo vem e Ophelia surge em algum lugar,
com sua loucura apaixonada, irônica e suave.
Com sua agudeza de punhal e veneno.
Arrasando no violão com uma balada triste
do reino da Dinamarca, vai construindo sua própria corte.
Nós, somos convidados a fazer parte tb
e eu, ai de mim, fiquei como plebe mesmo.
Ophélia é um estado de ligeirezas e pausas
e um convite a catarse de bolinhas de papel
contra os mandatários.
Ás vezes nos apaixonamos na primeira olhada,outras
precisamos ir construindo pouco a pouco (tem hífen aqui?).
Quando será que a pobre filha de Polônio,
apaixonou-se pelo príncipe da Dinamarca?
E ele, só pensando na mãe e no tio.
O coveiro, este sim sabe das coisas,
só não sabe mais que o verme, que por sinal
é um túmulo.
Todo mundo precisa de um coveiro para um conchavo,
uma espécie de conivência e acordo.
Acordo muito necessário para o teatro.
Foi Hamlet que morreu por causa de seu pai,
mas é Ophèlia que usa o vestido de casamento de sua mãe.
As melhores jóias da Dinamarca, à luz mais certeira,
de Cleison, emoldurando as flores na janela.
Ophélia é Polly, que vai traçando um enredo
de contas e contos e nos envolvendo numa trama suicida,
que acontece diante de nós e não percebemos.
Ophélia é Michelloto e suas palavras de moicano,
sua corda estendida, despretensiosa e má intencionada,
um laço, um nó, uma forca fazendo carinho no pescoço.
Ophélia é Shakespeare, para quem entende do mesmo.
Não para quem tem devoção por Bárbara Heliodora,
mas nunca leu uma peça (coisa comum em Recife)
e no máximo já ouviu falar de Romeu e Julieta.
É possível que aproximando-me do final,
não tenha esclarecido quase nada.
Então vá ver a peça, que faz sua última apresentação
próxima sexta-feira e faça seu comentário.
Se não for agora será depois e no fim,
estar pronto, é tudo!

eliasmouret

Um comentário:

Anônimo disse...

Será que foi Michelloto que jogou a bolinha de papel em José Serra?
Ah, aquela careca de Claudius.