quarta-feira, maio 12

O bom teatro e o "bom teatro"

Tenho um amigo que escreveu mais ou menos assim:

Eu vi
sentado em um banco vazio
seres que esperam uma nova chance de estender suas pernas cansadas
de não ter forças para caminhar e nada encontrar
e de tanto saltar e nada alcançar
querer repousar e nunca parar
para não perecer...
Vazios

Fiquei refletindo sobre o "repertório cansado" do teatro pernambucano, infeliz colocação da diretora do Teatro de Santa Isabel, e o terrível comentário do Prefeito, Sr. João da Costa.
Sr. Prefeito, eu gostaria que nós artistas cênicos tivéssemos um pouquinho só dos investimentos e atenção que tem o carnaval de Recife. Todos sabem que os teatros estão mal equipados e vazios, o Santa Isabel é uma exceção? Por quê?
É batata! Uma peça com artistas conhecidos nacionalmente por seus trabalhos na TV Globo é satisfação garantida! O Teatro de Santa Isabel já conquistou um público cativo, pois tem uma agenda regular, mérito dos administradores, os de hoje e os do passado, e também do crescente mercado cultural.
Tem parceiros da iniciativa privada, não sobrevive apenas com a verba municipal. Tem uma história secular, tem uma beleza indiscutível, tem charme e glamour. Tem funcionários que nos recebem na porta com um "boa noite". E, não se pode deixar de frisar, está localizado entre o Palácio da Justiça e o Palácio do Campo das Princesas sede do governo de PE. Teatro realmente era de muita importância para os poderosos e governantes, não?
Sr. Prefeito, o Teatro de Santa Isabel também abriga o sono dos sem tetos quando as portas se fecham.
Sabe, precisamos de uma boa administração pública assim como precisamos de "bom teatro".

Por falar em bom teatro fui a um debate sobre crítica teatral promovido pelo pessoal do Laboratório lá estavam Ivana Moura, crítica teatral e jornalista do Diario de Pernambuco, pessoa frequentadora assídua de teatro, e o querido Luis Reis crítico teatral e professor da UFPE. Para minha surpresa o Teatro Hermilo Borba Filho estava cheio de interessados em discutir e ouvir os convidados. Pouca gente que produz teatro estava lá, é verdade, talvez uma dezena.
Depois de ouvir muitas vezes a palavra teatro seguida de adjetivos como ruim, chato, medonho, mesmo com os debatedores declarando todo o amor que sentem por esta arte, fui embora.
Não acho que há um mau julgamento ou colocações descabidas, realmente temos muitos espetáculos ruins, ruins mesmo, e me permitam não definir o que entendo por ruim, mas é que é triste de ouvir isso sempre e sempre. E sobre os bons, quando vamos discutir?


Às vezes parece haver uma batalha de credibilidade, entre artistas e críticos, uma desconfiança generalizada, um olhar cheio de preconceito sobre os espetáculos produzidos e sobre as críticas realizadas. E a relação de troca e bom convívio para um crescimento paralelo das profissões onde fica?


Fico me perguntando se o que falta é respeito, respeito em toda parte.

Ah! Sr. prefeito, para não perecer, vazia, estou em cartaz com um espetáculo, apareça!
É no Teatro Apolo, fique tranquilo...

Viviane Bezerra

* Leia aqui a matéria do Diario de Pernambuco sobre os 160 anos do Teatro de Santa Isabel.

2 comentários:

Samuel disse...

Viviane querida
ontem me vestir , me preparei para ir a esse laboratorio de critica mas...algo me dizia que iriamos ser torturados , nos tachando de teatro ruim. acredito as vezes que esse pensamento prooviciano e medonho e velado nunca vai se acabar até por que ele perpassa pela imprensa especializada e alguns pensadores e o poder publico. o teatro que eu faço é mito legitimo e de muita qualidade, vou ter que tirar a modestia de lado e me legitimar por que senão... e vejo tanta coisa boa surgindo atraves de coletivos e pessoas individuais. isso não chega ou fazem questão pra não chegar. mas essa merda vai mudar ou feder e como? indo para o ato e mostarndo que esse o nosso teatro e ele é bom. leve cenas do teu espetaculo apresenta lá no ato. é isso . vamos nesss ! estamos prestes a dar um passo historico!

Trupe de Copas disse...

Oi Samuel, que horas será o ato em frente ao TSI?

Viviane