sexta-feira, janeiro 30

Por um Barack pertinho

Gente, lendo o que o Saramago escreveu sobre o Obama eu fiquei pensando se não é, ou seria, algo espetacular um sujeito assim existir. Um líder com um discurso ético, cheio daqueles bons valores que estão em falta na civilização, principalmente no aparte que é a civilização política. Imaginem as mudanças que alguém como ele pode fazer... Imaginam? Tá difícil? Ou realmente sou uma infeliz pensando neste “herói” (lembrando de Brecht) ou posso ter fé, deixando a inércia e a indiferença nas questões políticas de lado, em encontrá-lo por estas bandas, por nossas praças, por entre nós, em nós.

Não sei, espero que este post não se torne em breve arcaico. Penso que a ocasião é boa para o, não sem ato, desejar...

Boa sorte para nós!


Até!


Viviane Bezerra



Donde?

José Saramago

Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.” Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.

Fonte: http://caderno.josesaramago.org/

Um comentário:

Biu Vicente disse...

Pois bem, esses valores são de uma tradição tão forte que surpreende que, em um espaço em que valores são a cada dia mais voláteis eles ainda possam ser ditos. E que bom que o são. Iso nos torna sãos.