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O embrião de Mulheres em V surgiu de algumas pequenas, porém significativas, conversas com mulheres da minha convivência sobre as abordagens sexistas que sofrem de alguns homens nas ruas, nos bares, no trabalho... Depois juntei minhas próprias experiências as delas, e guardei todas as histórias um pouco comigo. Foi quando ganhei de presente o livro Assassinatos de mulheres em PE, do repórter Aureliano Biancarelli. Percebi que eram histórias demais para guardar comigo, pensei em aprofundar minha pesquisa, agregar mais pessoas a ela, e posteriormente, montar um espetáculo de teatro, que é atualmente o "espaço porto" das minhas idéias.
Felizmente, conseguimos incentivos para isso, a montagem foi contemplada com o prêmio Myriam Muniz de Teatro da Funarte, e temos o apoio de vários parceiros. Abaixo segue um depoimento escrito gentilmente por Ricardo Paiva, coordenador da Área Social da Associação de Medicina de Pernambuco, que assistiu semana passada a um de nossos ensaios. Obrigada Ricardo!
Quero registrar minha alegria de ter participado do ensaio da "trupedecopas" convidado que fui pelo grupo através de Hilda, atriz, militante e amiga. É sempre uma satisfação enorme ver a arte como fator de conscientização e transformação social. Mas muito me alegrou ver o ensaio que fluiu como um ato litúrgico,com disciplina e concentração própria de quem aglutina a qualidade artística e a militância pela felicidade da humanidade. A causa da violência de todas as formas contra a mulher merece por todos os meios ser combatida por todas as pessoas , homens e mulheres porque qualquer agressão a um ser humano é uma agressão a toda humanidade e as ações de resistência empreendidas através da arte tem o poder de transcender a lógica e a razão porque mexe com a emoção e com o lúdico. O texto, a encenação, a interpretação e a direção conseguem um efeito estético e harmônico que continuamente nos leva a emoção. Parabéns a voces todas. Quero estar com voces na estréia.
SUCESSO SEMPRE.
MERDA!!!!!!!!!!!!!!!
RICARDO PAIVA
Algumas fotos do início do processo de montagem
Cena o Molde
Cena há menos beleza num salão de beleza
Cena há menos beleza num salão de beleza
Cena estupro
As mulheres são vítimas da violência. Os homens também são vítimas.
Há dados que mostram que para cada mulher morta em PE são dez homens que morrem. É uma grande diferença se pensarmos numericamente e uma prova definitiva que os homens são vítimas. A diferença é que a mulher que foi morta morreu por conta do seu sexo. Penso: será que estes homens, ou pelo menos alguns deles, morrem porque são homens? Não creio.
A violência incomoda. Incomoda ver alguém vítima de violência, incomoda as marcas, incomoda o que esta pessoa fala, sente, como age. Incomoda pensar que podemos ser também vítimas, incomoda saber que somos vítimas de uns, carrascos de outros. Incomoda saber que não somos totalmente “do bem”. Incomoda não sentirmos a aproximação de mudanças mais pacíficas, incomoda a desesperança. O incômodo parace ser ainda maior quando a violência é cometida por alguém próximo, um parente, um companheiro.
Na maioria dos casos de violência contra a mulher, ela conhece, e às vezes muito bem, quem é agressor. Convive diretamente com ele. Penso: Será que existe na sociedade, especialmente nas mulheres que a compõe, uma consciência de como é abrangente a questão da violência sexista? Não creio. Algumas coisas ganharam um ar natural, permitido e engraçado, mas são verdadeiras bombas de violência reforçadas de preconceitos, imposições e ignorância. Alguns tratamentos dipensados as mulheres, ou exigidos delas, já chegaram a um grau de distorção tão grande que são indiscutivelmente aceitos por grande parte das pessoas.
Mulheres em V mexe no caldeirão da violência contra a mulher explodindo algumas destas bombas.
Abaixo coloco a disposição de vocês algumas coisinhas que fazem parte da nossa pesquisa para a montagem do espetáculo.
Alguns números
- A cada 15 segundos uma mulher sofre agressão física ou verbal no Brasil, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgou em 2005.
- Este ano (2008), mais de 100 mulheres já foram assassinadas no estado de Pernambuco, segundo registrou a imprensa do estado.
Algumas "piadinhas"
- Assédio sexual só é crime quando o cara é feio.
- Porque Deus criou as mulheres? Porque os cachorros não conseguem abrir a porta da geladeira para pegar uma cerveja pra você.
- Mulher é que nem bacalhau, só não se aproveita a cabeça.
- Porque as mulheres têm os pés menores que os homens? Para ficarem mais próximas do fogão.
- Tá certo que as mulheres devem correr atrás de seus direitos, mas na volta vê se traz uma cerveja.
Algumas imagens


Alguns Siteshttp://www.sindromedeestocolmo.comwww.soscorpo.org.brwww.patriciagalvao.org.brwww.unifem.org.brwww.presidencia.gov.br/spmulheres
A Trupe montou:O Grande Vizir
Texto de René de Obaldia
Direção: Elias Mouret
Elenco:
Amanda Gabriel
Lane Cardoso
Viviane Bezerra
Figurino e Maquiagem: Amanda Gabriel
Cenário: Viviane Bezerra
Iluminação e Sonoplastia: Elias Mouret
Preparação vocal: Lane Cardoso
Fotografias: Jorge Clésio
Produção: Trupe de Copas
Giulietta em: Entreato
Texto de Paulo Michelotto, livremente inspirado no texto Romeu e Julieta de William Shakespeare
Direção: Viviane Bezerra
Elenco 1:
Jorge de Paula
Lêda Santos Elenco 2:Amanda GabrielCarlos Ferrera
Figurino e Maquiagem: Amanda Gabriel
Cenário: criação coletiva
Iluminação: Elias Mouret
Direção Musical: Adriana Milet
Produção: Trupe de Copas
200nomes - Mostra de Teatro e Dança nasceu de uma necessidade do nosso grupo em valorizar, movimentar e difundir o fazer teatral de grupos e companhias permanentes de teatro, e agora também de dança, por acreditar que estes coletivos abordam de forma ímpar, através da linguagem artística, uma diversidade de temas e estéticas de importante existência para a arte e para o grupo social.
O nome
O nome da Mostra surgiu de uma discussão, justamente porque tentávamos encontrar um nome para o evento, onde após listarmos vários possíveis candidatos ao título, percebemos que seria impossível escolhermos apenas um, assim como, é pouco um único objetivo para justificar a idealização e a realização desta Mostra.
A Mostra
Numa produção independente da Trupe de Copas, com a parceria de outros grupos de teatro (Engenho de Teatro, Totem, Escambo Cia de Criação, Máscaras de Teatro) foi realizada a primeira edição da mostra no ano de 2004 em Olinda, no Atelier Coletivo e no Mercado da Ribeira, localizados no sítio histórico da cidade. O público que compareceu ao evento foi bem diverso: turistas, moradores da cidade, estudantes, músicos, artistas...
Além de teatro, compunham a noite performances e pocket shows. Apelidamos as apresentações diárias das performances de lado C e contamos com a participação de artistas e bandas como: França, Kleber Lourenço, Parafusa, Rádio de Outono e Santa Fogo.
Identidade visual: Móbile Comunicação
A Trupe é formada por:
Amanda Gabriel
atriz / diretora / figurinista / iluminadora /sacoleira
Elias Mouret
diretor / iluminador / filósofo
Malu Allen
produtora / a morta
Viviane Bezerra
diretora / atriz / produtora / iluminadora / a estabelecida
Pessoal, este é o blog de um grupo de amigos que por gostarem do fazer teatral uniram-se e criaram um grupo de teatro. Gostamos de tantas outras coisas e nos unimos para fazê-las também, por isso, aqui vocês encontrarão além de notícias, impressões e realizações sobre nosso trabalho em grupo e o teatro que gostamos de ver e fazer, textos e sugestões sobre todos os assuntos que nos cercam a vida. Bem-vindos!