sexta-feira, julho 16

Roubo de Portinari na 13 de Maio

Por que os investimentos só são liberados quando acontece o pior?
Será que faz parte de uma cultura brasileira ou de um plano de governo?
Me pergunto se o dinheiro não poderia aparecer antes das coisas ruins acontecerem. Afinal se não há investimento na estrutura de uma cidade ou na segurança do patrimônio histórico e artístico corre-se o risco de se viver uma grande tristeza. Algumas dessas tristezas parecem meio óbvias, predestinadas. Depois de séculos de descaso com a natureza, de tempos em tempos pagamos o preço. Mas algumas coisas parecem bem complexas, ao menos para polícia de PE, e não é de tragédia natural que estou falando.
Na quarta-feira, dia 14/07, o MAC - Museu de Arte Contemporânea foi roubado. O Museu fica em Olinda, Cidade Patrimônio Histórico da Humanidade, um título fabuloso para um país onde cultura e patrimônio não são prioridades. Não há pista alguma do ladrão, pois não existem câmeras de segurança ou alarme, apenas dois ou quatro seguranças cuidando de um acervo bem grande. A obra roubada está avaliada em 1 milhão de reais.
A cena não foi digna de uma Missão Impossível ou de filmes do Brian de Palma, porque não se precisa de tanto cérebro ou tecnologia assim para roubar uma obra num Museu em Olinda. Agora, depois da perda, o governo anunciou o investimento de 2 milhões ao ano para segurança de seus equipamentos culturais. Isso não podia ter sido feito antes?
Desta vez, perdemos o quadro "Enterro" de Cândido Portinari, mas uma perda anunciada, lembrando que se corre esse risco quando não se realizam os devidos investimentos. Esse é mais um daqueles tempos que pagamos o preço pela falta de cuidado com o patrimônio e com a arte. O desrespeito e o descaso com a nossa cultura é revoltante e entristecedor.
Desejo sorte e um bom trabalho a polícia.

Viviane Bezerra

Enterro - Cândido Portinari

Um comentário:

oócio (Adilson) disse...

Olá, sou olindense. Lembro de ter visitado o MAC ano passado e percebi já naquela época a vulnerabilidade do local. A proteção é inversamente proporcinal ao valor do acervo. Os quadros são pendurados com "pregos" e o ladrão, sozinho na sala, tirou da parede, da moldura e levou enrolado na bolsa a obra de Portinari. Simples assim.