O que nós assistimos com relação a política cultural em Pernambuco?
Uma política sem nenhuma ação estruturadora,
focada em shows e mais shows, eventos e mais eventos,
enfiando tudo em uma tal de 'nação cultural'.
É obvio que algumas pessoas estão se beneficiando deste modelo...
modelo atrasadíssimo que não deixa marcas, que não possui solidez,
que acabará assim que a oposição tome o poder.
É triste ver o que é a política cultural do governo Eduardo Campos...
um político jovem, que implementa uma política velha.
Desde a Roma antiga... e provavelmente muito antes
este modelo é usado pra promover a alienação,
a dependência estatal, a subserviência ao poder.
Para alguns gestores que pretendem usar a cultura
como trampolim de futuras candidaturas
distribuir eventos por todas as regiões do estado
é uma bela maneira de adquirir votos.
Quem viver verá...
E quanto ao povo e artistas que vivem aqui?
Quantas bibliotecas novas foram construídas em Pernambuco?
Quantas salas de teatro com boas condições de uso?
Quantas salas de cinema, galerias, etc?
Como a formação estética vem sendo abordada nas escolas?
Vc como artista consegue mesmo pagar as contas,
ou já está preparando as malas?
Nenhuma destas coisas parece importar...
Pernambuco não tem problema de criação artística!
O que não falta aqui são bons artistas em todas as áreas...
mas onde exibir tanto conteúdo,
como se manter profissionalmente?
É preciso interromper esta derrama de dinheiro em eventos
e promover ações que deixem uma estrutura permanente
que possa ser utilizada por diversos grupos e artistas
que sirva para o benefício de quem cria e aprecia arte.
Estrutura que deve servir aos bairros tb.
Não adianta enfiar tudo no Recife antigo!
Precisamos do cine-teatro do Ibura,
da galeria de artes do alto José do Pinho,
do MAMAM no Hipódromo
e por aí vai.
Há um processo de empoderamento econômico
das classes mais pobres...
qualquer pessoa que consiga usar a lógica,
perceberá que estruturas permanentes,
bem administradas, ajudam a diminuir os custos.
O desastre da política do governador Campos,
é que não trata a cultura como formadora de cidadãos conscientes,
nem trata a cultura como produto econômico!
Erra nos dois sentidos...
se é que se importa verdadeiramente com algum deles.
Temos que questionar a quem serve essa política!
Corremos o risco de não estruturar nada...
nem a rádio frei Caneca sai do papel...
parece que não é falta de recursos... shows não faltam.
precisamos saber por onde anda o dinheiro dos nossos impostos.
Qual o orçamento da Fundarpe?
Quantos funcionários concursados tem ali?
e comissionados e terceirizados?
Quanto do orçamento é usado para pagamento de pessoal?
Obter estas e outras informações
é um direito do cidadão, não um favor do gestor público.
Sei que são muitas perguntas aqui...
mas continuo insistindo em um outro papel para o artista
assim como acredito, que podemos desenvolver uma
economia cultural forte e justa!
Artistas bem remunerados, sem atravessadores,
com bons espaços para criar e apresentar.
Cheios de som e fúria!
elias mouret
quarta-feira, dezembro 2
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